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domingo, 9 de abril de 2017

Deuses americanos (+2), de Neil Gaiman


.: Este é primeiro livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros! :.


Tentei esperar algum tempo após acabar a leitura de Deuses americanos, do Neil Gaiman — a releitura, na verdade —, para ver se ficava mais fácil falar sobre essa obra.

Não ficou.

O que acontece é que esse é um dos livros que eu mais gosto — deve ser o segundo, na verdade, só perdendo para O senhor dos anéis —, e é sempre difícil transformar em texto tudo o que uma obra assim significa para nós… Então não vou nem tentar. Simplesmente vou escrevendo, e o que sair saiu.

Como eu comentei na postagem linkada na primeira frase desse post, esse livro inaugura um dos meus dois desafios literários desse ano — é o “um livro com um portal para outro mundo”. E qual seria esse “outro mundo”? O mundo dos deuses. Os deuses que foram trazidos para a América (do Norte), quando ela foi colonizada, pelos seus devotos. Como protagonista, temos Shadow Moon, um ex–presidiário que vê sua vida entrar em colapso assim que sai da prisão. (Na verdade, ele sai da prisão porque sua vida começa a entrar em colapso.) A partir daí ele ganha um trabalho: servir de ajudante e guarda–costas do sr. Wednesday — alguém que é, em muitos sentidos, muito mais do que parece.

E o que significa o “+2” lá do título?

Significa que eu decidi ler, na sequência, as “aventuras extras” do protagonista, retratadas nos contos O monarca do vale, da coletânea Coisas frágeis, e o conto Cão negro, da coletânea Alerta de risco: Contos e perturbações. Aproveitando a onda da série que está para sair, eu decidi me inundar de tudo o que pudesse sobre esse universo incrível. Esses dois contos são o que são: aventuras extras mesmo, nada de mindblowing ou verdadeiramente essenciais — são mais agrados mesmo a quem adorou o romance.

Agora, continua difícil falar sobre a obra em si. Não quero dar spoiler, então vou comentar de forma meio disfarçada.

Shadow by ~luilouie

Muita gente pela internet fala que o Shadow foi muito apático em relação às coisas que iam acontecendo. Acho que essas pessoas não leram a mesma obra que eu. Ele mesmo fala, mais pro fim do livro, que ainda estava processando tudo o que lhe acontecia — e de forma meio frenética, deve–se dizer. Acho que só duas reações são possíveis: ou surtar de vez ou aceitar e seguir em frente. Acho que as pessoas estão tão acostumadas com as over–reactions dos personagens de obras de escritores menos hábeis que se esqueceram como as pessoas de verdade reagem.

O livro tem uns momentos que me agradam muito, como os passados na cidadezinha de Lakeside. Lá tem dois elementos que eu aprecio muito: frio e sossego. Queria viver lá. Gosto muito também de estruturas de road stories como é o do livro. Além disso, a questão da guerra entre os deuses antigos contra os novos é fantástica. Confesso que queria que o livro tivesse umas 200 páginas a mais para que Shadow interagisse com outros deuses — claro que há a questão de que ele só encontraria deuses que foram levados para os Estados Unidos, mas creio que uma continuação da obra poderia mostrar personagens muito interessantes… E uma coisa me dá uma esperança quase infantil sobre isso: o que Gaiman diz na introdução da coletânea Alerta de risco:

“Há uma última história a ser contada, sobre o que ocorre com Shadow quando ele chega a Londres. Se ele sobreviver a isso, será hora de mandá–lo de volta aos Estados Unidos. Afinal, muita coisa mudou desde que ele foi embora.”

Ou seja: há, sim, a possibilidade de uma continuação de Deuses americanos, além da certeza de um terceiro conto sobre as andanças de Shadow. Sabendo que o sr. Gaiman (também conhecido como “deus”) gosta de continuações — afinal, está escrevendo a de Lugar nenhum —, só me resta orar a todos os deuses de todas as culturas pela saúde e por muitos anos de vida ainda ao meu escritor predileto :)

Visual dos personagens para a série

sábado, 11 de março de 2017

Outro desafio literário para 2017!


Quando de minha única visita à Livraria Cultura, em São Paulo, adquiri duas coisas:

Um exemplar já difícil de encontrar, da extinta editora Tarja, do romance A situação, do Jeff VanderMeer…
…e um singelo marcador de páginas.

Acontece que, nesse marcador, há um desafio literário bastante interessante para quem gosta de literatura fantástica.

Ele diz “Livros para viajar para outros mundos”, e traz a seguinte lista:

  • Um livro com uma aventura em alto–mar.
  • Um livro com animais falantes.
  • Um livro que se passe em diferentes reinos.
  • Um livro com criaturas mágicas.
  • Um livro com um dragão na capa.
  • Um livro em que foi criada uma nova língua.
  • Um livro com um portal para outro mundo.


Como podem ver, já dei um “check” no último item, porque estou lendo Deuses americanos, e, se você já o leu, deve certamente se lembrar d'O Maior Carrossel do Mundo :)

Para o item do dragão na capa, já tenho o candidato mais provável: Memória da água, da Emmi Itäranta… mas, para o resto, ainda há um mundo de possibilidades!

Prometo que falo sobre cada um deles, assim que os ler — e assim como os do outro desafio literário do ano.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Os meus Cinco Preferidos - de todos os tempos!


Fazer um top de qualquer coisa e qualquer quantidade sempre é difícil, não é? Esse não foi. Não mesmo. Dentre tudo o que eu gosto em literatura, esses 5 livros sempre estiverem um degrau acima. São os exemplos do que eu gosto, são o resumo do que eu espero em um livro, são as obras que eu gostaria de ter escrito, são os livros que eu levaria para qualquer lugar em que só me fosse permitido levar 5 livros.

Fazer um top deixa uma falsa impressão de que o que está fora dela não presta. Muito pelo contrário; existem muitos livros que poderiam substituir esses numa hipotética ilha deserta se esses não fossem possíveis de serem levados. No entanto, uma vez que eles podem ser escolhidos, eles o foram.

E são eles:


O SENHOR DOS ANÉIS


Para um escritor de fantasia, não há novidade aqui. O senhor dos anéis é a obra máxima do gênero — e pessoas mais ousadas poderiam dizer que é a obra máxima de qualquer gênero. Embora não tenha personagens femininas suficientes — a única que agradaria em termos de força seria a Eowyn —, é uma baita história sobre a amizade, sobre o senso de dever e sobre, acima de tudo, fazer o que é certo. É assim que eu vejo essa história.


O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS


Também não há novidade para um amante de ficção científica — O guia do mochileiro das galáxias é, por muitos, considerada a obra máxima desse gênero. Até mesmo as poucas pessoas que não gostam dele admitem sua importância — até para o nosso mundo real (um dos primeiros tradutores online foram inspirados nele, assim como a Wikipedia, para dar alguns exemplos). Sem falar do humor inteligente da obra, que mescla o insano e o exagerado a acidíssimas críticas ao nosso mundo moderno.


DEUSES AMERICANOS


Neil Gaiman é, atualmente, o meu escritor preferido. Não sei se é por causa da sua sutileza, se é por causa de sua prosa poética, se é por causa do jeito que ele escolhe as palavras, se é por causa dos seus temas... Talvez seja por tudo isso junto. Gaiman encontra a magia nas coisas do nosso dia-a-dia. Deuses americanos foi a primeira obra que li dele, e por pouco acho essa obra a minha preferida. O oceano no fim do caminho é um páreo duro, mas creio que esse seja mais completo. Como disse Bolaño, O oceano é seu exercício perfeito, sua batalha ganha, enquanto Deuses é a sua guerra completa, onde tudo o que Gaiman é escorre pelas páginas, em seus aspectos bons e ruins.


A ESTRADA


Curiosamente, A estrada está aqui por motivos contrários ao Deuses americanos — ele está aqui por sua concisão. Pela poesia de suas linhas. Pela sutileza com que Cormac McCarthy conduz seus personagens e trama em um mundo cruel, duro e estéril. É, sem dúvida, a distopia mais realista já escrita.


KAFKA À BEIRA-MAR


E essa é a minha escolha mais curiosa: Kafka à beira-mar, do japonês Haruki Murakami. Esse livro simplesmente mudou a minha forma de ver a literatura. Murakami me mostrou que, sim, esse tipo de história pode ser escrita. Nem tudo tem que fazer sentido. Nem todas as pontas têm que ser amarradas, nem tudo tem que ter explicação. Nada precisa ter explicação, se você não quiser. Você pode criar personagens incríveis e cheios de camadas, você pode criar um personagem transgênero e homossexual ao mesmo tempo — e que é confuso até a si mesmo!

Foi Murakami com seu Kafka à beira-mar quem me mostrou que a literatura não precisa seguir nenhum exemplo.

Que o papel foi feito para registrar o que existe dentro da cabeça do escritor.