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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Leituras de Abril


Primeiramente, fora Temer. Segundamente, peço desculpas aos leitores do bróg por estar postando apenas esses posts de leituras do mês, e tão menos os posts, digamos, temáticos, ou monotemáticos, sei lá — mas vocês entenderam a ideia. É que está faltando tempo mesmo. Paciência. Mas, justamente por isso, esses posts “condensadões" são úteis; falo sobre todos os livros que quero falar e não deixo o blog morrer.

Esse mês de abril foi cheio de emoções, e nem todas elas boas. Li uns livros muito bons, descobri uma doença degenerativa na minha coluna, passei um final de semana num pesqueiro, terminamos — finalmente! —, eu e o Luís Beber, de escrever nosso livro em parceria (para lançamento em breve)… Enfim, vocês perceberam que realmente foi um mês de altos e baixos. E espero que os altos se proliferem e os baixos fiquem contornáveis :)

Mas vamos às obras do mês!


ROMANCES:



Que eu sempre gostei do Stephen King não é segredo, mas, mais uma vez, ele conseguiu me surpreender com Joyland. Dizem que não se deve julgar um livro pela capa, mas confesso que o que mais me atraiu nessa foi a ruiva que eu vim a descobrir ser a personagem Erin Cook. Essa ilustração, além de ser linda, muitíssimo bem executada, reflete perfeitamente a alma do livro — não que ela represente uma cena, exatamente, do romance, mas todos os elementos — e o clima — da ilustração são fidedignos ao que se encontra na história. Então, e a história? Vou contar a vocês que nunca imaginei que Stephen King pudesse ser tão… murakamesco. Quê?! Murakami e King na mesma frase? Sim! Olha que fantástico! Devin Jones, o protagonista de Joyland, poderia muito bem ser um personagem escrito pelo japonês — é melancólico, é uma boa pessoa, adora caminhar para aproveitar seus momentos de introspecção, é altamente mediano (mas com eventuais arroubos de protagonismo)… mas, apesar disso tudo, é um personagem cativante. Os coadjuvantes, como em qualquer obra do King, são adoráveis; bem-construídos e realistas — tanto que, lá pela metade do livro, eu me pego pensando: “que merda… esse é um livro do Stephen King… logo, logo, alguém vai se foder grandão… alguém ou todo mundo… vai vendo…" — mas, incrivelmente, não! Não estou dando spoiler; estou só dizendo que esta não é uma história típica do Stephen King! Arrisco mais uma vez dizer que é uma história que Haruki Murakami escreveria se fosse obrigado a escrever um thriller. Então, acreditem no que eu digo: o mestre King sempre surpreende. Leiam sem receio.



Mais uma vez, outro que deixei passar o hype para ler o Guerra do velho, e posso dizer com toda a tranquilidade: QUE LIVRO FODA. A começar pela capa, que vende exatamente o que a história é. Passando pela escrita do John Scalzi, que é leve, fluida e sem grandes pretensões. Continuando pelos personagens, que são cativantes e bem construídos (só acho que o protagonista é sortudo até demais…). E culminando na história, que, basicamente — e o autor não esconde isso de ninguém — pegou a ideia apresentada em Tropas estelares e a ampliou para um universo interessante, variado e coeso, com adendos de incrível criatividade. Guerra do velho pega o que foi consolidado com as grandes space operas do passado e entrega uma história moderna e deliciosa. 'Bora pro próximo livro, o As Brigadas Fantasma :)



E, enfim, a trilogia Comando Sul do escritor Jeff VanderMeer termina, com o romance Aceitação… e eu tenho algumas considerações tanto do romance quanto da trilogia em geral — e, inclusive, do filme Aniquilação. Mas, Rahmati, do filme também? Sim, porque o filme é um resumão da trilogia toda. Mas, antes, ao que interessa: esse terceiro volume é tão bom quanto o primeiro, ou mesmo tão razoável quanto o segundo? A resposta é simples: não. E talvez o culpado disso seja o filme. Vejam bem, não estou dizendo que os livros são ruins. A história toda é uma das coisas mais estranhas que eu já li — aliás, essa seria uma boa definição das duas mídias, livros e filme: é uma grande história de estranhamento com momentos de terror. Só que, enquanto o primeiro volume te introduz num mundo original para caramba, o segundo monta as bases e o terceiro dá os toques finais — porque não dá explicações, coisa que o filme faz. O problema é que os livros, falando do Autoridade e do Aceitação, enrolam demais. Dava, com folga, para ter feito um único livro, lá com suas 450 páginas, mas que fosse mais direto ao ponto, assim como o filme fez. Então o filme é uma boa adaptação? É! Porque tudo o que tem no livro está lá de alguma forma (e aqui vão os spoilers de ambos): o bicho que grita, que foi transposto para o urso decomposto; o duplo do faroleiro, que virou o duplo do marido da bióloga; o rastejador, que se transformou no alien do final… Só não gostei do filme ter entregado a origem da Área X na primeira cena, mostrando o meteoro. Mas… e o personagem John Rodriguez, o Controle? Sério: o que ele fez no livro? Serviu para quê? Não fez falta nenhuma. Em resumo: eu explico a Área X para mim mesmo como uma espécie de câncer do planeta. No filme, é aquele câncer que mata rapidamente; no livro, é o que mata aos poucos.



Comentários nesse post :)


* * *


CONTO:


Mais um ótimo texto do Leonel Caldela, esse conto O cão é bem-escrito, denso, dramático e impactante. É uma história de fantasia que dialoga com outras obras do autor, como O código élfico e O caçador de apóstolos, mas não creio que se passe realmente no universo de alguma delas. É mais como uma “realidade alternativa", acho (coisa que gosto de fazer nas minhas obras também; todas têm elementos umas das outras). Para não variar, Leonel é brutal com seus personagens — e, aqui, isso se reflete principalmente no final, porque, apesar de eu imaginar que havia alguma coisa ali, eu jamais poderia esperar aquilo. Mais um ponto para o Caldela, e espero ansiosamente sua próxima obra que não for da série Ruff Ghanor.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Um trecho marcante de Jeff VanderMeer #2


Você deve perceber quanta angústia tudo isso me fez sentir. Tudo o que tínhamos eram os relacionamentos dentro da empresa. Todas as informações vinham de uns para os outros. O que esperava por nós a cada noite na cidade, não suportávamos descrever. 
Esses funcionários haviam estado em meu apartamento. Eu tinha compartilhado meu aumento com eles. Tinha passado os feriados tanto na casa de Mord quanto na de Leer, apesar do perigo das ruas. Nós tínhamos feito caminhadas pelos edifícios da vizinhança como desculpa para almoços longos. Mord dividiu comigo a triste situação de sua esposa meio plástico, meio carne. Leer contou sobre sua infelicidade em casa, com um marido que preferia enfiar enguias de memória em seu reto a passar algum tempo com ela. Eu tinha partilhado minha solidão, de como era difícil encontrar o amor se alguém não o tivesse trazido com ele enquanto fugia da desintegração do mundo. Tinha mostrado a eles as poucas fotografias que eu ainda tinha de meus pais durante suas férias em algum lugar exótico perto do mar, colunas de mármore atrás deles. As ruínas de sorrisos desbotados, os quais tinha que interpretar tanto. Nós tínhamos falado tanto sobre o quanto perdemos da rigidez dos velhos tempos, o quanto a qualidade fluida do que acontecia agora, em casa e no escritório, nos assustava, não importando o quanto tentássemos negar. Como ninguém que tivesse nascido agora poderia entender o quão diferente tudo tinha sido, uma vez. 
Por essa razão, por termos sido tão chegados por tanto tempo, culpo Scarskirt pelo meu isolamento crescente. Era lindíssima e animada e todos a amavam, mas agora acredito que ela escondia uma ferida secreta de nós, que já estava marcada muito antes de nos conhecermos. Que nunca ligou para ninguém e cobiçava meu trabalho desde o momento em que foi contratada, apesar de minha simpatia. Apesar de eu ser tão aberto. Apesar do fato de eu ter dividido todos os meus besouros de treinamento com ela. Não alterei um único antes de entregá–los a ela. Três ou quatro empregados morriam todo ano de besouros envenenados dados por seus treinadores. Mas eu a tinha aceitado em meu grupo, sem maldade em meu coração. 
No entanto, minha confiança agora significava meu isolamento. Meu único consolo vinha do meu escritório, onde ainda controlava meus besouros, e a cabeça falante de crocodilo que fiz me contava piadas quando me sentia deprimido.

Jeff VanderMeer — A situação



sábado, 11 de março de 2017

Outro desafio literário para 2017!


Quando de minha única visita à Livraria Cultura, em São Paulo, adquiri duas coisas:

Um exemplar já difícil de encontrar, da extinta editora Tarja, do romance A situação, do Jeff VanderMeer…
…e um singelo marcador de páginas.

Acontece que, nesse marcador, há um desafio literário bastante interessante para quem gosta de literatura fantástica.

Ele diz “Livros para viajar para outros mundos”, e traz a seguinte lista:

  • Um livro com uma aventura em alto–mar.
  • Um livro com animais falantes.
  • Um livro que se passe em diferentes reinos.
  • Um livro com criaturas mágicas.
  • Um livro com um dragão na capa.
  • Um livro em que foi criada uma nova língua.
  • Um livro com um portal para outro mundo.


Como podem ver, já dei um “check” no último item, porque estou lendo Deuses americanos, e, se você já o leu, deve certamente se lembrar d'O Maior Carrossel do Mundo :)

Para o item do dragão na capa, já tenho o candidato mais provável: Memória da água, da Emmi Itäranta… mas, para o resto, ainda há um mundo de possibilidades!

Prometo que falo sobre cada um deles, assim que os ler — e assim como os do outro desafio literário do ano.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Retrospectiva literária 2016


Esse post já está virando uma tradição — que ótimo! Assim sendo, pelo terceiro ano consecutivo, trago–lhes a minha Retrospectiva literária :D

E nessa, felizmente, eu não fui um mero leitor, um mero apreciador das obras alheias. Eu trouxe à vida muitas obras de minha própria autoria — algumas graças à editora Draco, uma graças à revista Trasgo, e outra, a que mais tenho orgulho, por minhas próprias mãos. É claro que estou falando dos meus contos Nil, My shadow plan, Kamerorkester, Paid in full, Aquecimento global (Em fogo alto), Noturno deserto e do meu romance O arquivo dos sonhos perdidos. É de uma alegria imensurável ver minhas obras coexistindo com todas aquelas que tanto me inspiram, mesmo que num degrau bem abaixo. Mas isso é o de menos.

No entanto, em 2016 eu também li bastante. Não tanto quanto em '14 ou '15, quando li 58 e 55 livros, respectivamente, mas estou certo que, em termos de qualidade, foi algo bem próximo. Vamos, então, à minha lista de leituras:

  1. A vida como ela é…, de Nelson Rodrigues;
  2. Iron man: Minha jornada com o Black Sabbath, de Tony Iommi;
  3. O aleph, de Jorge Luis Borges;
  4. O clone de Cristo vol. 2: Nascimento de uma era. de James BeauSeigneur;
  5. Diga meu nome e eu viverei, de Lady Sybylla;
  6. Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez;
  7. O escaravelho de ouro e outras histórias, de Edgar Allan Poe;
  8. Branca dos Mortos e os sete zumbis e outros contos macabros, de Fábio Yabu;
  9. A Torre Negra vol. III: As terras devastadas, de Stephen King;
  10. Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (releitura) e
  11. Harry Potter e o Cálice de Fogo (releitura), de J K Rowling;
  12. Na órbita de Aldebarã, organizada por Damon Knight;
  13. A cidade inteira dorme e outros contos, de Ray Bradbury;
  14. Forgotten Realms — O Vale do Vento Gélido vol. 1: A estilha de cristal, de R A Salvatore;
  15. Universo desconstruído: Ficção científica feminista, organizada por Lady Sybylla & Aline Valek;
  16. Sentimentos à flor da pele, organizada por Vilto Reis & Anna Schermak;
  17. Smoke and mirrors: Short fictions and illusions, de Neil Gaiman;
  18. Em algum lugar do passado, de Richard Matheson;
  19. Dias perfeitos, de Raphael Montes;
  20. Recruta Zero vol. 1, de Mort Walker;
  21. O castelo do homem sem alma, de A J Cronin;
  22. Trilogia dos pássaros vol. 1: O Templo dos Ventos, de Marcelo F Zaniolo;
  23. Brasyl, de Ian McDonald;
  24. Os melhores contos brasileiros de ficção científica: Fronteiras, organizada por Roberto de Sousa Causo;
  25. A lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares;
  26. As profecias de Urag vol. 1: O caçador de apóstolos, e
  27. As profecias de Urag vol. 2: Deus máquina, de Leonel Caldela;
  28. Habibi, de Craig Thompson;
  29. Cidade da penumbra, de Lolita Pille;
  30. Comando sul vol. 1: Aniquilação, de Jeff VanderMeer
  31. O cair da noite, de Isaac Asimov & Robert Silverberg
  32. Estranha Bahia, organizada por Alec Silva, Ricardo Santos & Rochett Tavares;
  33. Todos os fogos o fogo, de Julio Cortázar;
  34. Descongelado, de João Bourbon II;
  35. Grande irmão, de Lionel Shriver;
  36. A casa de vidro, de Anna Fagundes Martino;
  37. Blue Cup Cafe, de Shaneoli;
  38. A cidade & a cidade, de China Miéville;
  39. O sonho da sultana, de Roquia Sakhawat Hussain;
  40. Ovelha: Memórias de um pastor gay, de Gustavo Magnani;
  41. No sufoco, de Chuck Palahniuk;
  42. Hamlet, de William Shakespeare; e
  43. Especial natalino, de Clara Madrigano.
Por mais que eu não corra atrás de recordes, sempre espero fechar o ano com, pelo menos, um livro lido por semana, mas esse ano não deu — e estou certo que foi por causa das preocupações e preparativos com a publicação do meu próprio romance. Então valeu a pena!

Vamos então às premiações!


O MELHOR LIVRO INTERNACIONAL DE 2016:

 

Fiquei em dúvida entre esse e outro quanto a essa categoria e a de surpresa do ano (qualquer um deles se encaixaria bem em qualquer uma das categorias), mas acabei dando o título a essa maravilhosamente melancólica e estranha obra de Jeff VanderMeer. E a menção honrosa vai para o perturbadoramente incrível A cidade & a cidade. Esse foi, definitivamente, o ano do new weird para mim.


O MELHOR LIVRO NACIONAL DE 2016:

 

Para mim não é surpresa gostar de um livro do Leonel Caldela — só foi surpresa, e bastante, e das boas, o quanto eu gostei dessa obra…! Só uma palavra a pode descrever: INCRÍVEL! E a menção honrosa é óbvia, né.

Vamos, então, à tradicional premiação por gêneros, excluindo as obras acima.


O DESTAQUE DE FICÇÃO CIENTÍFICA DE 2016:

 

Em primeiro lugar, uma obra surpreendente — tanto em qualidade literária, em fator “grudar o leitor na cadeira” e em nível de pesquisa. Ian McDonald verdadeiramente destrinchou o Brasil para compôr sua obra, e eu adorei ver nosso país aqui representado. A menção honrosa vai para a ótima — e necessária — antologia Universo desconstruído, que tem umas pérolas escondidas lá dentro.


O DESTAQUE DE FICÇÃO FANTÁSTICA DE 2016:


Quem diria — eu, que não sou dos mais fãs da dita “alta fantasia”, escolher justamente um dos grandes clássicos do gênero como destaque… Elfos, anões, toda aquela coisa… Talvez tenha sido justamente por isso a surpresa boa: não ter esperado nada dessa obra. A menção honrosa… bem, foi a minha leitura beta, e dela eu falo quando puder ;)

Edit 13/02/17: E a leitura beta está revelada! O Marcelo anunciou, enfim, seu livro, e só posso dizer que estou ansioso pela cópia física. Eu sou o revisor dessa obra fantástica (em todos os sentidos), e tenho certeza de que ela vai estar na lista de “destaques do ano” de muita gente!


O DESTAQUE DE FICÇÃO REALISTA OU REALISMO MÁGICO DE 2016:


Não tem como essa obra concorrer em qualquer coisa que seja e não ganhar, não é? Só não levou o título de “melhor internacional” porque a que ganhou acabou mexendo mais com o meu emocional, mas Cem anos de solidão é qualquer coisa de notável na história da arte produzida pela raça humana.


E então temos A SURPRESA DO ANO DE 2016:


Que aventura gostosa foi A lição de anatomia do temível Dr. Louison! A trama é boa, a escrita é boa, a estrutura é boa… Enfim, já falei bastante da obra nessa minha resenha; então, tudo o que me resta dizer é que esse prêmio de surpresa do ano foi bem merecido!


Mas infelizmente também tem A DECEPÇÃO DO ANO DE 2016:


Não que nenhum dos dois tenham sido livros ruins, mas apenas entram nessa categoria porque não foram tão bons quanto eu esperava que eles fossem. Com o Grande irmão o problema foi o final; estava indo tudo muitíssimo bem (mesmo) até o final cagar tudo. E com O Aleph, é aquela merda da expectativa — eu esperava que fosse um outro O livro de areia.


Mas esse ano tem O PIOR LIVRO DO ANO DE 2016:


Desculpa aí. Não gostei, não foi para mim. Escrita arrastada, abandonei mesmo :P Agora o da menção honrosa eu li inteiro, mas é chatinho, chatinho…


E agora O MELHOR LIVRO DE CONTOS DE 2016:


Não tem como fugir desses, né? Gaiman e Bradbury são deuses. Apesar de eu ter lido ótimos livros de contos esse ano, realmente a disputa fica injusta quando esses dois estão na parada…


E agora vem O TOP 10 DE 2016!

  1. Comando Sul vol. 1: Aniquilação, de Jeff VanderMeer
  2. A cidade & a cidade, de China Miéville
  3. Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez
  4. Smoke and mirrors: Short fictions and illusions, de Neil Gaiman
  5. Brasyl, de Ian McDonald
  6. As profecias de Urag vol. 1: O caçador de apóstolos, de Leonel Caldela
  7. As profecias de Urag vol. 2: Deus Máquina, de Leonel Caldela
  8. O Vale do Vento Gélido vol. 1: A estilha de cristal, de R A Salvatore
  9. A cidade inteira dorme e outros contos, de Ray Bradbury
  10. A Torre Negra vol. III: As terras devastadas, de Stephen King

Então é isso, pessoal. Um feliz 2017 a todos :)


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Um trecho marcante de Jeff VanderMeer


“Ave fantasma, você me ama?”, sussurrou ele uma vez na escuridão, antes de partir para o treinamento para a expedição, mesmo sendo ele então o fantasma. “Ave fantasma, você precisa de mim?”
Eu o amava, mas não precisava dele, e achava que era assim que as coisas deveriam ser. Uma ave fantasma podia ser um falcão em um lugar e um corvo no outro, dependendo do contexto. O pardal que disparava em voo no céu azul em uma manhã podia se transformar em uma águia-pescadora em pleno voo na manhã seguinte. As coisas eram assim, aqui. Não havia razões tão poderosas a ponto de sobrepujar o desejo de estar em harmonia com as marés, com a mudança das estações e com os ritmos que regiam todas as coisas ao meu redor.
Jeff VanderMeer - Comando Sul vol. 1: Aniquilação, 2014


Fotografia de Ed King