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domingo, 6 de março de 2016

Em algum lugar do passado, de Richard Matheson


Acabei recentemente a leitura do Em algum lugar do passado, do Richard Matheson. Do autor, já tinha lido o Amor além da vida, um excelente livro, e, como o autor tem umas outras obras interessantes — como Eu sou a lenda e O incrível homem que encolheu (que já comprei) —, resolvi dar uma chance a essa obra. E, infelizmente, ela não é tão boa quanto à outra dele que li.

Entendam: ela não é ruim — dei 3 estrelas para ela no Skoob. No entanto, a trama é por demais simples. O livro é dividido em 2 partes; na primeira, o protagonista, Richard Collier, conta o drama que está enfrentando em sua vida e se apaixona por Elise McKenna, através da visão de uma fotografia. Ele descobre que ela é uma atriz e aquela foto é de 75 anos atrás. Ele decide, então, voltar no tempo para encontrá-la — e essa é a segunda parte, a volta propriamente dita.

Sim, ele simplesmente decide voltar ao passado; se concentra e volta. Claro que, no livro, devido à habilidade do autor — e ele escreve muito bem —, isso tem até bastante credibilidade, mas praticamente tudo se resume a isso na trama.

Collier estuda a história da atriz, descobre que ela teve um envolvimento romântico enquanto estava no mesmo hotel onde ele estava hospedado — e onde ele vira a fotografia dela —, e assume que aquele envolvimento fora com ele próprio. Assim sendo, o que acontecera a ela — ou a eles, no caso — já estava escrito.

Nesse ponto, eu pensei: se o que aconteceu já estava escrito, por que eu continuaria a ler a história? Disse isso a minha esposa, ao que ela retrucou: "Termina de ler, ué, vai que as coisas acontecem diferentes?" Fiz isso. Não aconteceram diferentes. Não mudaram.

Claro que, apesar de tudo, era essa a história a ser contada, e foi uma boa história. Claro que nem todos os livros têm que ter um incrível plot twist, mas uma pequena interferência do protagonista no dito "destino" teria sido tão bem vinda...

Em algum lugar do passado não foi uma experiência ruim, mas foi, de certa forma, uma decepção... Não estrará, com certeza, nos melhores do ano, mas também não foi tempo perdido.

Adaptação cinematográfica, de Jeannot Szwarc, com Christopher Reeve e Jane Seymour nos papéis principais.

P.S.: Li outro livro com uma temática bastante parecida, o Um amor de duas épocas, da Daphne du Maurier, que é bem melhor do que esse :P


• Livro: EM ALGUM LUGAR DO PASSADO •
• Autor: RICHARD MATHESON •
• Editora: Círculo do Livro •

Personagens: ★★★☆☆
Trama: ★★★☆☆
Escrita: ★★★☆☆
Ambientação: ★★★★☆
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★☆☆☆

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Os meus Cinco Preferidos - de todos os tempos!


Fazer um top de qualquer coisa e qualquer quantidade sempre é difícil, não é? Esse não foi. Não mesmo. Dentre tudo o que eu gosto em literatura, esses 5 livros sempre estiverem um degrau acima. São os exemplos do que eu gosto, são o resumo do que eu espero em um livro, são as obras que eu gostaria de ter escrito, são os livros que eu levaria para qualquer lugar em que só me fosse permitido levar 5 livros.

Fazer um top deixa uma falsa impressão de que o que está fora dela não presta. Muito pelo contrário; existem muitos livros que poderiam substituir esses numa hipotética ilha deserta se esses não fossem possíveis de serem levados. No entanto, uma vez que eles podem ser escolhidos, eles o foram.

E são eles:


O SENHOR DOS ANÉIS


Para um escritor de fantasia, não há novidade aqui. O senhor dos anéis é a obra máxima do gênero — e pessoas mais ousadas poderiam dizer que é a obra máxima de qualquer gênero. Embora não tenha personagens femininas suficientes — a única que agradaria em termos de força seria a Eowyn —, é uma baita história sobre a amizade, sobre o senso de dever e sobre, acima de tudo, fazer o que é certo. É assim que eu vejo essa história.


O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS


Também não há novidade para um amante de ficção científica — O guia do mochileiro das galáxias é, por muitos, considerada a obra máxima desse gênero. Até mesmo as poucas pessoas que não gostam dele admitem sua importância — até para o nosso mundo real (um dos primeiros tradutores online foram inspirados nele, assim como a Wikipedia, para dar alguns exemplos). Sem falar do humor inteligente da obra, que mescla o insano e o exagerado a acidíssimas críticas ao nosso mundo moderno.


DEUSES AMERICANOS


Neil Gaiman é, atualmente, o meu escritor preferido. Não sei se é por causa da sua sutileza, se é por causa de sua prosa poética, se é por causa do jeito que ele escolhe as palavras, se é por causa dos seus temas... Talvez seja por tudo isso junto. Gaiman encontra a magia nas coisas do nosso dia-a-dia. Deuses americanos foi a primeira obra que li dele, e por pouco acho essa obra a minha preferida. O oceano no fim do caminho é um páreo duro, mas creio que esse seja mais completo. Como disse Bolaño, O oceano é seu exercício perfeito, sua batalha ganha, enquanto Deuses é a sua guerra completa, onde tudo o que Gaiman é escorre pelas páginas, em seus aspectos bons e ruins.


A ESTRADA


Curiosamente, A estrada está aqui por motivos contrários ao Deuses americanos — ele está aqui por sua concisão. Pela poesia de suas linhas. Pela sutileza com que Cormac McCarthy conduz seus personagens e trama em um mundo cruel, duro e estéril. É, sem dúvida, a distopia mais realista já escrita.


KAFKA À BEIRA-MAR


E essa é a minha escolha mais curiosa: Kafka à beira-mar, do japonês Haruki Murakami. Esse livro simplesmente mudou a minha forma de ver a literatura. Murakami me mostrou que, sim, esse tipo de história pode ser escrita. Nem tudo tem que fazer sentido. Nem todas as pontas têm que ser amarradas, nem tudo tem que ter explicação. Nada precisa ter explicação, se você não quiser. Você pode criar personagens incríveis e cheios de camadas, você pode criar um personagem transgênero e homossexual ao mesmo tempo — e que é confuso até a si mesmo!

Foi Murakami com seu Kafka à beira-mar quem me mostrou que a literatura não precisa seguir nenhum exemplo.

Que o papel foi feito para registrar o que existe dentro da cabeça do escritor.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Microconto #5: O abridor de latas e os zumbis


Quando tinha vinte anos, Jim foi a uma cigana e, por doze dólares, pediu-a para ler o seu futuro.

— Um grande amigo lhe dará um instrumento que salvará a sua vida — ela disse.

Cinco anos depois, Chris se cansou de ouvir reclamações da esposa sobre o abridor de latas que não tinha corte e o deu a Jim, que estava em sua casa. Jim o abraçou e chorou como se tivesse ganhado na loteria.

Quando finalmente começou o apocalipse zumbi, Jim morreu comido por doze zumbis, e o abridor de latas, então, jamais saiu de dentro do seu bolso.

Microconto #4: A incrivelmente triste história de Cornelius, o Pássaro Falante


Ele caiu do ninho e morreu, antes de aprender a falar.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Creio


Creio na amizade que não pede; dá
Creio no amor, sem condições
Creio na humildade de quem sabe ganhar
Creio na honra sem uniforme nem deus

Não creio em um altar que salve minha fé
Ser honesto é melhor que um céu cheio de hinos
Não creio em um líder que dirija meus pés
Meu rei é minha vontade, minha pátria, meu lar

Sei que existe um lugar, mais além, entre as estrelas
Onde nascem os versos que eu nunca pude encontrar
Onde a alma dá a luz e ao parir nasçam beijos
Com lábios de esperança eu creio em ti, creio em mim

Sei que existe um lugar onde encontrar um beijo perdido
Onde nascem os sonhos e chamam uma oportunidade
Onde fazer-te amor seja morrer dentro de seu corpo
Creio em uma carícia, creio que exista esse lugar

Creio na paixão, ela é minha voz
Creio que ao final te encontrarei...



Mägo de Oz - Creo (La voz dormida pt. II)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ensaio: Fazenda do Chocolate


Fotos feitas em 2010, na Fazenda do Chocolate, em Itu.

Vista geral da fazenda.

Se liguem nos zóio desse tio :P


Só curtindo uma preguicinha...


Vejam como eu sou fotogênico.


Dentro da antiga senzala.



Dessas telhas nasceu a expressão "feito nas coxas", porque era assim, literalmente, que elas eram feitas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Retrospectiva literária 2015


E chegou ao fim mais um ano de leituras! (Tudo bem, chegou ao fim mais um ano de tudo mais, mas o que interessa aqui são as leituras.)

Podemos dizer que 2015 foi tão produtivo quanto o anterior — tanto em quantidade quanto em qualidade! O número de abandonos foi menor esse ano, porque sinto que fui mais seletivo na minha lista de "quero ler"; isso se refletiu numa maior carga literária, e mais proveitosa. Vamos a ela então:

  1. Perdido em Marte, de Andy Weir;
  2. Harry Potter e a pedra filosofal e
  3. Harry Potter e a câmara secreta (releituras), de J K Rowling;
  4. Necrópolis: A fronteira das almas, de Douglas MCT;
  5. Guerra civil, de Stuart Moore;
  6. Anjos da desolação, de Jack Kerouac;
  7. As crônicas marcianas, de Ray Bradbury;
  8. A sombra do vento e
  9. O jogo do anjo, de Carlos Ruiz Zafón;
  10. Contos fantásticos do século XIX, organizado por Ítalo Calvino;
  11. Entremundos, de Neil Gaiman & Michael Reaves;
  12. Clube da luta, de Chuck Palahniuk;
  13. Futuro proibido, organizado por Rudy Rucker, Robert Anton Wilson & Peter Lamborn Wilson;
  14. Duna, de Frank Herbert;
  15. Chaves: A história oficial ilustrada, de Editorial Televisa;
  16. Cobras e piercings, de Hitomi Kanehara;
  17. Admirável Brasil novo, de Ruy Tapioca;
  18. A página assombrada por fantasmas, de Antônio Xerxenesky;
  19. O guia do mochileiro das galáxias vol. 4: Até mais, e obrigado pelos peixes e
  20. O guia do mochileiro das galáxias vol. 5: Praticamente inofensiva, de Douglas Adams;
  21. Misery: Louca obsessão e
  22. Carrie, a estranha, de Stephen King;
  23. Placebo, de Paola Barros Delben;
  24. Laranja mecânica, de Anthony Burgess;
  25. A mão que cria, de Octavio Aragão;
  26. A caçada ao Outubro Vermelho, de Tom Clancy;
  27. Direitos iguais, rituais iguais, de Terry Pratchett;
  28. Lugar nenhum, de Neil Gaiman;
  29. Sandman: Os caçadores de sonhos, de Neil Gaiman & Yoshitaka Amano;
  30. O espadachim de carvão, de Affonso Solano;
  31. Caim, de José Saramago;
  32. Contato, de Carl Sagan;
  33. Extraneus vol. 1: Medieval sci-fi, organizado por M D Amado;
  34. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa;
  35. Neuromancer, de William Gibson;
  36. Star wars: A trilogia, de George Lucas, Donald F Glut e James Khan;
  37. Imaginários vol. 3, organizado por Erick Santos Cardoso;
  38. A bússola de ouro, de Philip Pullman;
  39. Lua dos dragões, de Marcelo Cassaro;
  40. Os melhores contos de aventura, organizado por Flávio Moreira da Costa;
  41. O planeta dos dragões, de Jack Vance;
  42. Alif, o invisível, de G Willow Wilson;
  43. Millenium vol. 1: Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson;
  44. Sete mundos, de Carlos Relva;
  45. A mão e a luva, de Machado de Assis;
  46. Neon Azul, de Eric Novello;
  47. Encruzilhada, de Lúcio Manfredi;
  48. Mistborn - Nascidos da bruma vol. 1: O império final, de Brandon Sanderson;
  49. Cobaias de Lázaro, do grupo Singularidades;
  50. The prisoner of Zenda, de Anthony Hope, adaptado por George F Wear;
  51. Mar inquieto, de Yukio Mishima;
  52. Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K Dick;
  53. Ball jointed Alice, de Priscilla Matsumoto;
  54. O pirotécnico Zacarias, de Murilo Rubião; e
  55. O oitavo passageiro (Alien), de Alan Dean Foster.

Não bati o recorde do ano passado, mas passei perto. Como se isso fosse importante :P

E vamos às premiações!!! (Nesse ano, teremos também um destaque para menções honrosas, se houver.)


O MELHOR LIVRO INTERNACIONAL DE 2015:


Agora posso entender como falam tão bem desse livro. O melhor internacional que li no ano não poderia ser outro. As expectativas para o próximo da série estão altíssimas!


Agora... O MELHOR LIVRO NACIONAL DE 2015:

 

Esse poderia ganhar também na categoria de surpresa do ano! Encruzilhada bateu o também ótimo Neon Azul do Eric Novello — que ganha uma menção honrosa —, mas me ganhou na inovação, porque no quesito qualidade de escrita ambos estão pau a pau.

Vamos ver, então, a premiação por gêneros, excluindo esses dois acima.


O DESTAQUE DE FICÇÃO CIENTÍFICA DE 2015:

 

Esse foi o ano de Perdido em Marte, que foi o livro que eu li durante a virada de 2014 para 2015 — e se provou o melhor de FC do ano! Menção honrosa para o também excelente Duna, mas o páreo foi difícil, tendo na disputa o Androides sonham com ovelhas elétricas?, o Laranja mecânica, o Contato...

Vamos agora para...


O DESTAQUE DE FICÇÃO FANTÁSTICA DE 2015:

 


Se o primeiro volume de Mistborn não tivesse ganhado um dos dois prêmios principais, eu talvez não pudesse fazer justiça a essas duas excelentes obras. A bússola de ouro é uma aventura incrível, inventiva e muito bem escrita, e merece esse destaque (e é outra que deixa uma expectativa alta para a continuação). A menção honrosa vai para uma das coisas mais fantásticas e esquecidas já produzidas no Brasil: o romance Lua dos dragões do Marcelo Cassaro.

Próximo...


O DESTAQUE DE FICÇÃO REALISTA / REALISMO MÁGICO DE 2015:

 

Esse foi um páreo duro decidir... Entre A sombra do vento, Os homens que não amavam as mulheres, A mão e a luva, Travessuras da menina má, O jogo do anjo, Mar inquieto... Acabei dando o destaque a O jogo do anjo, com menção honrosa para o Travessuras..., mas acho que qualquer posição entre esses mencionados seria justa.


Agora A SURPRESA DO ANO DE 2015:

 

Alif, o invisível foi verdadeiramente uma surpresa. Como eu disse no post em que falei dele, esse livro superou um preconceito meu. A menção honrosa vai para uma obra que se revelou uma gratíssima surpresa: o incrível, maluco e surpreendente Ball jointed Alice da Priscilla Matsumoto. Ainda vou falar melhor dele num post específico :)


Mas também não podemos fugir d'A DECEPÇÃO DO ANO DE 2015:

 

E essa foi das grandes, viu... Eu estava animadaço para ler esse suposto Matrix das letras... Mas as sequências Reloaded e Revolutions da citada obra cinematográfica dão de 10 a 0 nesse romance. Ô negócio chato! A menção desonrosa vai para o Necrópolis: A fronteira das almas. Entendam-me: esse livro não é ruim; apenas ganha essa menção como decepção porque esperava uma coisa — talvez uma dark fantasy densa — e descobri que se trata de uma obra mais voltada para um público mais jovem...

Esse ano não "premiarei" o pior livro do ano, porque não li, de fato, livros ruins; somente fracos. Então, estreando esse ano, teremos a categoria...


O MELHOR LIVRO DE CONTOS DE 2015:

 

Que me desculpem os outros, mas essa escolha foi fácil: A página assombrada por fantasmas, do Antônio Xerxenesky, vence com folga. A menção honrosa vai para o também incrível Ray Bradbury com o seu As crônicas marcianas.


Agora, outra novidade! A partir desse ano, vou tentar uma tarefa difícil... Apesar de tudo o que foi dito, vou empilhar os melhores livros do ano num...

TOP 10 DE 2015!!!

Vamos lá:
  1. Mistborn - Nascidos da bruma vol. 1: O império final, de Brandon Sanderson;
  2. A bússola de ouro, de Philip Pullman;
  3. O jogo do anjo, de Carlos Ruiz Zafón;
  4. Perdido em Marte, de Andy Weir;
  5. A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón;
  6. Encruzilhada, de Lúcio Manfredi;
  7. Duna, de Frank Herbert;
  8. A página assombrada por fantasmas, de Antônio Xerxenesky;
  9. Alif, o invisível, de G Willow Wilson;
  10. Neon Azul, de Eric Novello.

Então é isso! Acho que isso resume bem o meu ano de leituras. Obrigado a todos que incentivaram mais um ano de existência desse humilde blog pessoal, especialmente nesse ano cheio de decepções que foi 2015. Revendo o meu post de retrospectiva do ano passado, percebi que muitas das minhas expectativas para esse ano foram malogradas — especialmente no campo da minha publicação —, mas, de qualquer forma, seguimos na luta.

Um ótimo 2016 a todos vocês!