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domingo, 7 de dezembro de 2014

A Torre Negra vol. 2: A escolha dos três, de Stephen King


Conquistei mais uma etapa de minha jornada em direção à Torre Negra! E com a ajuda de Roland, Eddie e Susannah. Que personagens...!

O Sr. King cria personagens como ninguém, não é? É impressionante a verossimilhança mesmo de seus coadjuvantes, e também como seus principais conseguem nos cativar, nos impactar e nos emocionar.

Além de (acho) nem precisar dizer o quanto a trama dessa obra foge de qualquer clichê esperado ou semelhança a alguma história previamente contada. Em A escolha dos três, mundos se fundem da maneira mais inesperada possível, e algumas respostas a perguntas do volume 1 são dadas... Mas podem ter certeza de que muitas mais indagações surgem no horizonte.

E algumas dessas indagações, estou certo, podem ser ainda mais terríveis que meros Chum? Chac? Chic?...



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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um trecho marcante de Rubem Fonseca #2


“Não dou muita bola para essa coisa de natureza, prefiro rua, casas, gente andando nas calçadas para lá e para cá, carros trafegando no asfalto, mas tem duas coisas que eu gosto: árvore e pôr do sol. Nascer do sol, também. Mas o problema do nascer do sol é que ele só é interessante durante poucos momentos. Minha mãe gostava de ópera, um dos seus cantores favoritos era o Enrico Caruso e ela gosta particularmente da matinata L'Aurora di Bianco Vestita, de Leoncavallo. Nessa música está dito o problema da aurora. Ela só é agradável de contemplar quando o sol, uma rutilante esfera vermelha, vai surgindo no horizonte, isso dura poucos minutos, logo em seguida a bola vermelha se torna em uma brutal fonte de luz branca, apoteótica, impossível de contemplar. É isso: quando a aurora se apresenta de bianco vestita ela fica muito bonita na música de Leoncavallo e na voz de Caruso, mas na vida real fica insuportável. Ao contrário, o pôr do sol vai ganhando beleza continuamente, como no poema de Keats a thing of beauty is a joy forever, its loveliness increases, como aquela beleza que eu estava contemplando, o pôr do sol, que nunca agride, a menos que considere uma forma de agressão a melancolia que invade você na hora em que o crepúsculo se instala no mundo antecedendo a noite.”

Rubem Fonseca - O seminarista


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Uma safra de grandes autores nacionais


Quem me conhece sabe que eu sou um grande entusiasta da literatura fantástica nacional, e, para quem não me conhece, muito prazer, esse sou eu.

Falo bem da produção nacional para quem quiser ouvir (às vezes até para quem não quer), e sempre posto coisas boas relativas a eles, sempre pensando em como posso fazer minha pequena parte para que eles atinjam um público maior. Sei que meu alcance ainda é pequeno, mas nunca poderão me julgar — eu nunca poderei me julgar — de não ter feito a minha parte.

Assim sendo, vou listar os grandes livros que li desses cada vez melhores autores nacionais. Vai que o você se interessa pelo título, pela sinopse ou pelas resenhas no Skoob, linkadas em cada título, e dá um apoio a mais para nossos autores...?

Os melhores livros, então, que li, seja nos gêneros de ficção fantástica (FF), ficção científica (FC) e terror/horror (TH) são:

  • Dezoito de Escorpião, de Alexey Dodsworth. Só o melhor livro de FC nacional, simples assim. Alterações genéticas, mistérios, ciência a nível hard, gatos desequilibrados, assassinos seriais e vilas misteriosas onde as sombras não mostram exatamente o que deveriam mostrar...
  • Filhos do fim do mundo, de Fábio Barreto. Uma ótima FF. Num belo dia (ou nem tão belo assim), todas as crianças recém-nascidas do mundo morrem, e as que estão nascendo não sobrevivem. Poderia um simples jornalista fazer algo para ajudar — algo que não fosse apenas ficar parado vendo os outros agirem...?
  • Menino de asas, de Homero Homem. Aposto que dessa FF muita gente se lembra, da coleção Vagalume. Uma história tocante de uma criança que nasceu com asas ao invés de braços, e os surpreendentemente sérios desdobramentos que isso acarreta em sua vida.
  • O vampiro que descobriu o Brasil, de Ivan Jaf. FF que mostra um vampiro português que veio junto aos "descobridores" do Brasil, procurando o imortal que o transformou para matá-lo e retomar sua mortalidade. Muito legal mesmo.
  • Rio 2054: Os filhos da revolução, de Jorge Lourenço. Outra excelente FC, aventuresca, futurista e realmente encantadora, mostrando um jovem da ala desfavorecida do Rio, enquanto ele descobre uma androide especial, habilidades que ele não esperava ter... e a quantidade de pessoas que passam a querer usá-lo por isso.
  • O inimigo do mundo, de Leonel Caldela. Escolhi esse livro para falar ao invés do mais famoso dele (O código élfico) porque, na minha humilde opinião, é o melhor livro de FF já escrito no Brasil. É a introdução mais perfeita ao mundo de Arton, mostrando o que causou a tempestade mortal e infernal chamada de Tormenta, que assola (e destrói) meio mundo, muitos anos antes das aventuras mostradas nos quadrinhos de Holy Avenger.
  • Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva. Uma ótima FF, vitoriosa em um tempo em que essas histórias não faziam sucesso no Brasil. Três amigos têm a sorte (ou o azar) de escapar de um cataclismo global que mata...? — não se pode dizer, apenas parece paralisar... ou congelar... — todas as outras pessoas do mundo.
  • Anjo: A face do mal, de Nelson Magrini. Uma aventura de FF, puxada para o TH, onde forças do bem e do mal (e de todas as religiões/frentes que se pode imaginar) se confrontam de uma vez por todas... ou não. Muito legal mesmo.
  • Dragões de éter: Caçadores de bruxas, de Raphael Draccon. Essa FF não precisa nem apresentar. Uma ótima — e surpreendente — releitura dos contos de fadas, e de muito mais do que isso... Um mundo onde tudo o que um dia foi sonhado está presente.








sábado, 15 de novembro de 2014

Um trecho marcante de Roberto Bolaño


“A menção a Trakl fez Amalfitano pensar, enquanto dava uma aula de forma totalmente automática, numa farmácia que ficava perto de sua casa em Barcelona e a que costumava ir quando precisava de um remédio para Rosa. Um dos balconistas era um farmacêutico quase adolescente, extremamente magro e de óculos grandes, que de noite, quando a farmácia estava de plantão, sempre lia um livro. Uma noite Amalfitano perguntou a ele, para dizer alguma coisa enquanto o jovem procurava nas prateleiras, de que livros gostava e que livro era o que estava lendo naquele momento. O farmacêutico respondeu, sem se virar, que gostava de livros do tipo A metamorfose, Bartleby, Um coração simples, Um conto de Natal. Depois disse que estava lendo Bonequinha de luxo, de Capote. Sem considerar que Um coração simples e Um conto de Natal eram, como o nome deste último indicavam, contos e não livros, era revelador o gosto daquele jovem farmacêutico ilustrado, que talvez em outra vida tenha sido Trakl ou que nesta talvez ainda lhe estivesse reservado escrever poemas tão desesperados quanto seu distante colega austríaco, que preferia claramente, sem discussão, a obra menor à maior. Escolhia A metamorfose em vez de O processo, escolhia Bartleby em vez de Moby Dick, escolhia Um coração simples em vez de Bouvard e Pécuchet, e Um conto de Natal em vez de Um conto de duas cidades ou de As aventuras do sr. Pickwick. Que triste paradoxo, pensou Amalfitano. Nem mais os farmacêuticos ilustrados se atrevem a grandes obras, imperfeitas, torrenciais, as que abrem caminhos no desconhecido. Escolhem os exercícios perfeitos dos grandes mestres. Ou o que dá na mesma: querem ver os grandes mestres em sessões de treino de esgrima, mas não querem saber dos combates de verdade, nos quais os grandes mestres lutam contra aquilo, esse aquilo que atemoriza a todos nós, esse aquilo que acovarda e põe na defensiva, e há sangue e ferimentos mortais e fetidez.”

Roberto Bolaño - 2666, 2004


terça-feira, 11 de novembro de 2014

A Torre Negra vol. 1: O pistoleiro, de Stephen King


O volume 1 d'A Torre Negra me surpreendeu, de verdade. Talvez influenciado pela introdução do próprio Stephen King, eu tenha imaginado que, sim, a série fosse excelente, isso seria inegável, mas que o primeiro volume não fosse assim lá essas coisas... E como eu me enganei.

Após, de fato, a leitura de Christine, eu pude mesmo perceber, de acordo com o que ele fala na introdução, que sua escrita ainda não havia atingido o "nível Stephen King" a que estamos acostumados — e, curiosamente, percebe-se a melhoria desse estilo no decorrer do próprio livro, como também percebemos em obras trabalhadas por muito tempo de autores iniciantes. Os adjetivos e advérbios, abundantes de início, aos poucos vão sumindo, e a obra se torna mais precisa, mais concisa, mais direta. Não sei se por causa desse estranhamento no estilo eu tenha reforçado a impressão inicial de que O pistoleiro valesse apenas como uma introdução mesmo à Torre, mas, realmente, no final do livro, ele mostra a que veio e que, sim, ele se sustenta como um ótimo livro por si só. O diálogo final (não posso dizer entre quem) é pouca coisa menos que arrebatador, encantador, épico. Por ele se percebe que terão realmente valor todos os 33 anos gastos por King em escrever a série, e que valeria a pena, inclusive, esperar mais 33 anos para terminar de lê-la. Ainda bem que não precisamos, hehe.

N'O pistoleiro, podemos ver a Torre se erguendo, não rumo aos céus, mas rumo ao Universo, assim como podemos perceber que a jornada de Roland será, provavelmente, uma das coisas mais recompensadoras que poderemos encontrar na literatura deste nosso pequeno mundo de grão de areia.


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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Desenhos #5


Um desenho que eu gosto muito, antigo também, como todos aqui o são... Já faz muito tempo que não pratico...


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

E se fosse real a "nova reforma ortográfica"?


Motivado por um episódio do CabulosoCast — o episódio #98 —, eu me inspirei para criar um texto escrito da forma em que passaria a ser a nova ortografia da língua portuguesa se fossem adotadas as delirantes mudanças sugeridas nesse boato que circulou pela internet. Esse texto foi citado no episódio #104 desse mesmo podcast, e agora o apresento aqui na íntegra:

Talves ese testo lle kauze alguma estrañeza. Em meu tempo, kontudo, ele está plenamente de akordo kom as hegras gramatikais vijentes. Sei ter avido alguma komosão kuando esas hegras foram aprovadas — oje em dia bastante minimizadas nos livros de istória, komo todas as hevoltas o são — mas, de kualker forma, a grande Akademia Brazileira de Letras, q jerensia nosa língua mãe, já não enfrenta problemas em helasão a tal kestão, bem absorvida pela sosiedade. No entanto, sei q os livros de istória estão ehados. Ouve, sim, uma hevolta sangrenta, imprevista (klaro!) e súbta, não dos “defensores da língua” versus os “hevolusionários”, mas sim entre os profesores (inisialmente apenas os tradisionalistas, mas logo ausiliados por todos os outros kuando as koizas fikaram feias) kontra muintos alunos q viram niso uma xanse de mudar o sistema vijente — e, grasas aos séus, devo dizer, não foram bem susedidos. (A koiza healmente deskambou para a sanginolênsia kuando outros setores da sosiedade entraram no konflito, mas não tratarei diso aki. (Inklusive, ese tipo de hevolta pasou a ser vulgarmente xamada de “vinte sentavos”; talves iso lles fasa mais sentido q a mim...)) 
Enfim; não sei se o sistema de envio temporal terá enviado kohetamente este dokumento à data nele espesifikada; se asim o foi — e devo asumir q sim, por q de outra forma não averia sentido em eskrevêlo — eu o faso justamente para tentar evitar, de alguma forma, tantas mortes, e ajudar asim a fazer esa tranzisão de uma forma mais trankuila. A heforma será feita; a língua brazileira será simplifikada, a partir de então, por ser kompletamente helasionada a seus fonemas — asim sendo, espero q saibam q iso não se pode mudar. Estamos, finalmente, dezasosiados de Portugal e de sua língua portugeza, q, por okazião desa hevolta suprasitada — eles insistem em dizer q não fora por kauza dela, mas apenas koinsidentemente kontemporânea a ela — heinkluíram todos os arkaízmos q lles eram interesantes, diferensiandoa, asim, o másimo q lles foi posível. Oje, Brazil e Portugal são ligados apenas pela istória (e tal fato, infelizmente, levou aos eventos dezagradáveis da Terseira Geha Mundial, mas diso também não devo tratar aki). 
Voltando às mudansas gramatikais. Algumas letras kaíram em dezuzo, komo, por ezemplo, os antigos “C”, “Y” e “W”. Para enkontrálos, tive, inkluzive, de prokurar dentre os símbolos matemátikos. Os fonemas a q esse “C” se heferia atualmente são perfeitamente substituíveis pelos “k” e “s”, e os do “Y” pelo noso bom e vello “i”. Os do “W” eram heferentes aos atuais “u” e “v”. Avia ainda um tal “C sedilla”, também ekivalente ao “s”, q já não se enkontra nem neses símbolos! Aliás (não sei se poso espresar opiniões pesoais, mas agora já era), devia ser uma bagunsa eskrever os mesmos fonemas kom letras diferentes — e, às vezes, uma mezma letra q se lia de três diferentes formas, komo o “x”, que se lia komo “x”, “z” e “s”! Outra mudansa foi em helasão a um sinal xamado ífem, um pekeno traso q separava palavras. Já não se uza esa separasão q, de akordo kom miñas peskizas, okohia em palavras komo mikroondas; parakedas; pikapau; bentivi; joãodibaho; amorperfeito; arkoíris; e nas próklizes, mezóklizes e ênklizes, komo em enkontrálo; fazêlo; extraílo; domináloia; subheptísio... É healmente um dezafio ler livros dos sékulos anteriores ao XXI. 
Sei q ese meu pekeno helato, por demais superfisial, pode nem fazer a diferensa fase à abranjênsia de tudo o q ele jerou, mas mesmo asim devo tentar. Ainda somos limitados em helasão ao tamaño dos testos q podemos enviar ao pasado, mas, de kualker forma, ainda me sobra espaso para um último pedido: Não levem tão a sério a forma komo as koizas são eskritas, mas sim a mensajem q elas estão pasando. Se as linguajens fosem tão importantes, não averiam as tradusões para q todos pudesem entendêlas e apresiálas — e, talvez me estendendo mais do q deveria, peso q também não leiam o q foi eskrito tão ao pé da letra; tentem enkontrar a mensajem okulta atrás dos testos.
Boa sorte, e até um futuro prósimo.


Hodrigo Hamati III