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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Um trecho marcante de Lúcio Manfredi


“— Me admira muito um crânio que nem você não saber quem é Chuang-Tzu. Até eu sei quem é Chuang-Tzu. 
E como o momento requer uma pausa dramática e essa é uma concessão que ele não se importa de fazer pelo bem da cena, é só no final do parágrafo que Max arremata: 
— Só não sei muito bem quem sou eu. 
No ato se arrepende, primeiro porque já disse isso e a repetição arruína a punch line, e segundo porque um fiadaputa oportunista tenta lhe roubar a cena, se aproveita da pausa para provocar um ruído no andar de cima e se tem uma coisa que Max não precisa nesta casa estranha é um ruído no andar de cima, inda mais um ruído que soa como um índio sussurrando acanga tatá. Max garra na arma e vai investigar, sem parar para refletir que a estranheza maior do ruído é que, sentado na cozinha do andar de baixo, ele tenha conseguido ouvir uma palavra sussurrada no andar de cima.”
Lúcio Manfredi - Encruzilhada



domingo, 25 de outubro de 2015

Sandman: Os caçadores de sonhos, de Neil Gaiman & Yoshitaka Amano


É engraçado o que a leitura de Gaiman faz comigo. É daquelas leituras que te deixam sentado, em silêncio, olhando para o nada, sem pensar, apenas sentindo. Posso afirmar, sem medo, que ele é o meu escritor favorito — e essa obra, Sandman: Os caçadores de sonhos, é uma realização — em toda a profundidade que essa palavra traz — dele em parceira com o meu desenhista favorito: Yoshitaka Amano.

Para quem não o conhece, ele é o ilustrador oficial da série Final fantasy — que também é a minha franquia preferida de videogames. Quando descobri essa obra na livraria, comprei-a sem pensar duas vezes. Para melhorar ainda mais, era barata.

Eu só não imaginava que a história me emocionaria tanto.


O texto de Gaiman é aquele negócio, né. Ele não exagera, não se demora, não enrola, não floreia — mas também não é cru. Usa as palavras necessárias para passar exatamente o que ele quer passar, e todas elas, na medida perfeita — e os desenhos de Amano são exatamente assim, também; têm o nível de detalhes na medida exata que precisam ter; podem ser uma profusão de traços e detalhes minúsculos ou um mar de cores e minimalismo que incomoda e deleita. A união de ambos — texto e traços — é imprescindível para a perfeição dessa obra.

E ela é perfeita. Não preciso explicá-la mais do que dizer que ela é uma ode ao amor. Alguns podem dizer que é apenas um conto, ou uma fábula, mas, na minha concepção, ela vai muito além disso. Ela é verdadeiramente um recorte dos sonhos. Gaiman e Amano trabalham com o está além — com o que está acima — do mundo real. Talvez eles trabalhem com o verdadeiro mundo real...

Mas o que sei é que eles trabalham com o que mais se aproxima do que eu realmente sou.

"Mas o que fizeram um pelo outro há de ser lembrado, e pode-se conjecturar que, neste momento, eles fizeram amor. Ou sonharam ter feito.

Quem sabe.

Quando encerraram as despedidas, o Rei dos Sonhos juntou-se a eles novamente.

— Agora tudo será como devia ser — ele disse, e o monge viu-se observando a raposa de dentro do espelho.

— Eu teria dado a minha vida por você — ela sussurrou, triste.

— Viva — disse o monge."


domingo, 11 de outubro de 2015

Alif, o invisível, de G Willow Wilson


Ler Alif, o invisível foi experienciar uma completa reversão de preconceitos. Não sei bem por quê, mas desde que foi lançado, o vi nas prateleiras das livrarias e não me motivei muito a comprá-lo (ajudou o preço em que os livros estão hoje em dia, nunca fugindo do intervalo R$ 30-50 para romances de tamanho tradicional). Encontrá-lo novo num sebo a R$ 19,90 ajudou a quebrar o bloqueio. Outra coisa que ajudou (e é uma coisa completamente besta, eu sei) foi a fonte em que o livro foi composto pela Rocco — a Centaur, a fonte em que escrevo e a que mais gosto. Bendita Centaur, hehe, porque li um dos livros que mais gostei esse ano.

Como não gosto de "resenha release", vou enumerar aspectos do livro que gostei — a sinopse o leitor pode achar no link para o Skoob lá em cima. Primeiramente, os personagens.

Alif, o personagem principal, é um produto criado pelo seu ambiente (o Oriente Médio) — ainda que subvertendo-o. Um hacker revolucionista, mas pode-se dizer que uma pessoa comum, mediana. Preconceituoso como boa parte de seus conterrâneos, apesar de sua inteligência. Como se percebe numa parte do livro, alguém que anseia pelas mudanças, mas, quando elas vêm, percebe que até preferia continuar na mesmice, meramente pelo medo do novo. Um carinha irritante, mas muito bem construído. Dina, sua amiga, é praticamente o oposto dele — apesar de ser extremamente religiosa (optando por um caminho tradicional demais até mesmo para os seguidores normais do Islam), é mais mente aberta para muitas coisas do que Alif. Vikram é um cara engraçadíssimo, também muito bem construído, e, não sei por quê, imaginei ele com a cara do Johnny Depp o tempo todo. O xeque Bilah é o exemplo do que um líder religioso deveria ser: segue sua religião interpretando-a e adaptando-a aos tempos modernos, e não com um cabresto. Suas reflexões são incríveis. O outro hacker, NewQuarter, vive os conflitos entre sua condição social e suas aspirações — e aparece na hora certa, hehe. A convertida, que só é chamada assim, nos apresenta as dificuldades em se adaptar e se incluir em uma cultura tão diferente da sua (seria um reflexo do que a própria autora enfrentou?). Agora, sem dúvida, a personagem que mais dá raiva na gente é a talzinha da Intisar; ô menina escrota! Suas motivações, contudo, são perfeitamente compreensíveis... infelizmente. Os outros personagens que ajudam no decorrer da história são mais planos, mas nem por isso mal construídos, e isso não chega a incomodar.

Gwendolyn Willow Wilson escreve muito bem — e confesso que, em muitos momentos, me lembrei da escrita de Neil Gaiman, e isso só pode o maior dos elogios. Como dito no episódio 83 d'O Drone Saltitante, a obra tem um quê de Deuses americanos — que muito me agradou. A narrativa é fluida e mescla com perfeição momentos mais light com pesadas críticas, tanto à política, às divisões sociais, ao preconceito e ao extremismo religioso. Wilson apresenta os aspectos culturais dos árabes com maestria, e conseguimos até mesmo compreender atitudes religiosas que antes poderíamos simplesmente rechaçar, simplesmente por sua completa diferença em relação ao que consideramos cotidiano e "normal" por aqui. A trama pode até ser considerada simples — mas você só percebe isso ao final do livro. No começo, é difícil saber o que está realmente acontecendo — e isso é excelente, porque nos transporta perfeitamente para o papel de Alif, que vê sua vida se torcer e quebrar de formas verdadeiramente nauseantes, ao perceber que, por trás do véu da realidade, existem muitas coisas a mais do que podemos ver... ou do que queremos ver? Confesso que, como não gosto de ler nem resenhas nem sinopses antes de ler os livros, até mesmo o gênero da história tive dificuldade em precisar, no começo. Mais um ponto para a autora por isso — e são tantos pontos positivos que só lendo mesmo para apreendê-los todos.

Alif, o invisível é uma fantasia urbana respeitável, aventuresca e com toques de ficção científica. Provavelmente vai ser a minha escolha de "surpresa do ano" na retrospectiva de 2015; vai ser difícil achar outro livro, ainda esse ano, que destrua meus preconceitos de forma tão devastadora quanto esse o fez. Todo tipo de preconceitos. Você, leitor, também devia rever os seus.

Você só vai entender por quê essa imagem está aqui quando ler o livro :)


• Livro: ALIF, O INVISÍVEL •
• Autor: G WILLOW WILSON •
• Editora: Fantástica / Rocco •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★★
Ambientação: ★★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Um trecho marcante de G Willow Wilson


“A convertida ergueu uma sobrancelha, cética.
— Já esteve nos Estados Unidos?
— Em que sentido?
— Existe mais de um?
— Naturalmente.
— Meu Deus, você é ridículo. — Segurando a saia comprida, a convertida passou à frente de Vikram, andando pela rua com um passo decidido. Vikram riu.
— Eu não pretendia ofender sua vaidade, minha cara — garantiu ele. — Ande mais devagar. Conheço tão poucos ocidentais que esqueci com suas consciências são melindrosas.
— Sabe quantas palavras eu conheço para 'estrangeira'? — perguntou a convertida. Ela não se virou para falar; sua voz parecia flutuar de trás da cabeça envolta em seda. — Muitas. Ajnabi. Ferenghi. Khawagga. Gori. Pardesi. Já fui chamada de todas elas. Não são palavras gentis, independentemente do que seu povo alegue.
— Espere um minuto, quem é esse seu povo? — disse Alif.
— Orientais. Não ocidentais. Como quiserem chamar a si mesmos. Não importa as concessões que façamos... Se nos vestimos respeitosamente, aprendemos a língua, seguimos todas as regras insanas sobre quando falar, como e com quem. Eu até adotei sua religião... Adotei por livre e espontânea vontade, pensando que fazia algo nobre e correto. Mas não é o bastante. Vocês sempre criticam cada pensamento e opinião que sai de minha boca, mesmo quando falo da merda do meu país. Sempre serei uma estrangeira.”

G Willow Wilson - Alif: O invisível

G Willow Wilson; foto de Amber French.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Imaginários vol. 3, organizado por Erick Santos Cardoso


O volume 3 foi o primeiro das incríveis coletâneas Imaginários da editora Draco que consegui ler. Como os outros volumes, são contos de fantasia, ficção científica e terror, sempre de autores nacionais — como é o procedimento dessa editora. Achei o resultado desse volume muito positivo, e, no geral, fui surpreendido! Assim, sem mais enrolação, vamos às (breves) análises dos contos.



1.º: A torre das almas, de Eduardo Spohr.
Um conto passado no universo ficcional de A batalha do Apocalipse, do autor. Mostra uma aventura curta, com a solução de um "caso policial" pelos celestiais infiltrados no mundo físico — mas sem emoções e sem fatos intrigantes. Como esse volume 3 é de 2010, espero que o autor tenha melhorado também sua escrita depois disso, porque tem muito tell e pouco show (da pérola estilística "show; don't tell" — mostre; não conte). Dava para ter contado tudo o que ele queria contar sem tanta explicação gratuita, mas... De qualquer forma, serve como introdução ao seu universo. E para mim já foi o suficiente.
Nota 2 de 5.

2.º: Um breve relato da ascensão do Papa Alexandre IX, de Marcelo F Assami.
Um conto interessante. Bom. A narrativa de uma sucessão papal nada convencional (ou seria...?), com um algo a mais. O escritor mostra bastante ao invés de contar, e isso é ótimo. Dá a sensação de que estamos deixando passar algo despercebido. Interessante também ele usar os sobrenomes de escritores (inclusive o dele próprio) para seus personagens; apesar disso ser bastante feito por aí (até eu já fiz), sempre é legal.
Nota 3 de 5.

3.º: As noivas brancas, de Rober Pinheiro.
Um conto muito legal. Uma aventura de resgate, num cenário de ficção científica, com toques de psicodelia engraçadíssimos. Vale ressaltar que Rober escreve muito bem.
Nota 3 de 5.

4.º: Bonifrate, de Douglas MCT.
Conto de ficção científica muito bom! O autor conseguiu aqui, nessa releitura de um conto popular, criar um mundo muito mais interessante do que o da outra outra que li dele, Necrópolis. Lembrei-me de um filme de que gostei muito — o Inteligência artificial —, então isso deve ter ajudado na apreciação da obra. Muito bem escrito também.
Nota 4 de 5.

5.º: Dies irae, de Lidia Zuin.
Conto de ficção científica regado a drogas e perseguições. Escrita muito boa; uma protagonista sem chance de redenção ou ajuda possível; um final, pelo menos para mim, enigmático — e, não sei bem dizer por quê, mas histórias sobre a decadência humana são sempre atrativas.
Nota 3 de 5.

6.º: Vida e morte do último astro pornô da Terra, de Marcelo Galvão.
Conto compacto e excelente! Criativo na forma e com uma virada interessante no final; muito bem escrito e com um tema mais profundo do que aparenta. Apesar do nome... suspeito, digamos, é o melhor conto da coletânea.
Nota 5 de 5.

7.º: Corre, João, corre, de Cirilo S Lemos.
No começo, dá de se pensar onde estará o elemento fantástico desse conto, mas tudo muda do meio para o fim, quando a história dá uma guinada e o ritmo, que já estava agitado, se torna frenético e agoniante. Ótimo. Não podia ser diferente; quando vi que seria uma história desse autor, já imaginava que não ia me decepcionar.
Nota 4 de 5.

8.º: Uma segunda opinião, de Fernando Santos de Oliveira.
Um conto de vingança estudantil, com um "quê" de Carrie, a estranha. A escrita é, claramente, de um autor iniciante (tanto que sua biografia ao fim do livro não cita outros títulos), e o tema não me prendeu; achei até meio bobinho, inocente. Esse é o mais fraco da coletânea.
Nota 2 de 5, porque o final foi interessante e diferente do que esperava.

9.º: Maria e a fada, de Ana Cristina Rodrigues.
Conto interessante, bem escrito, com uma ambientação medieval que me agradou bastante. Tem uma aura mágica e o jeito da autora contar a história ajudou muito na trama relativamente simples.
Nota 3 de 5.

10.º: O primmeiro contacto, de Fábio Fernandes.
Conto muito criativo na forma — o autor escreve como não fosse ele o autor do conto; como se este tivesse sido encontrado num sebo, escrito por um suposto Dr. Eleutherio Penna Filho, pseudônimo de um artista desconhecido, no ano de 1929 —, mas nem tanto na trama. Ok, o conto tem que ser encarado como se tivesse realmente sido escrito antigamente, então a trama está adequada — até mesmo a "inocência" relativa às viagens espaciais é justa, porque faltariam ainda décadas para o início das aventuras espaciais da humanidade. A ortografia também simula a escrita antiga; no entanto... as contruções frasais não convencem. Não sei dizer por quê, mas o... linguajar?... estilo?... algo me incomodou. Talvez seja o estilo mesmo; os "cortes" da cena parecem muito modernos, muito dinâmicos. Antigamente as narrativas eram mais lentas, mais descritivas, menos cinematográficas... Enfim; de qualquer forma, é um conto muito bom para o que propõe. Usa personagens históricos (outro recurso que também acredito ser mais moderno do que clássico), mas acho que acabou faltando um pouco de emoção na trama.
Nota 3 de 5.

No final, posso dizer com tranquilidade que a coletânea vale o que custa — e deixa o leitor com vontade de ler os outros volumes. Acho que vale um 3,5 de 5 de nota final :)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Algumas observações sobre a criação literária


Um grande escritor, Raymond Chandler, do qual infelizmente li somente uma obra — A dama do lago —, fez uma observação muito interessante (e muito válida) sobre os detalhes que verdadeiramente interessam e que prendem a atenção do leitor:
"Minha teoria é de que os leitores apenas pensam que o que lhes interessa é a ação. Na verdade, embora não saibam, ligam muito pouco para isto. O que os atrai, e me atrai, é a criação de emoção através de descrição e diálogo. O que eles lembram, e que não sai de sua cabeça, não é, por exemplo, que um homem foi assassinado, mas que no momento de ser morto ele estava tentando pegar um clip na superfície polida de sua mesa, e o clip escapulia dos seus dedos, de modo que havia uma contração no seu rosto e sua boca estava entreaberta numa espécie de sorriso tenso, e a última coisa que passava pela sua cabeça naquele instante era que iria morrer. Ele nem sequer escutou alguém batendo à porta. O maldito clip continuava escapulindo dos seus dedos e ele teimava em não querer empurrá-lo até a borda para fazê-lo cair sobre sua mão aberta."

O escritor Braulio Tavares (do qual comprei por esses dias duas obras — A espinha dorsal da memória e Mundo fantasmo —, mas que ainda não li) também teceu considerações acerca desse tema:
"Esses detalhes circunstanciais tornam uma cena algo único, e portanto algo mais vívido e mais verdadeiro. Leitor burro é inseguro, precisa encontrar a todo instante uma confirmação do que já sabe — se o cara que vai morrer é um milionário, por exemplo, ele não pode estar pegando um clip, tem que estar contando dinheiro, ou algo assim. O leitor inteligente sabe que muitos momentos de nossa vida se concentram assim, em detalhes totalmente insignificantes, que passam a significar não pelo que são, mas pelo foco que nossa atenção lhes concede."
"Sem contar que muitos gênios em potencial não comungam dessas certezas. Criam, mas não creem; criam massacrados pela descrença em si próprios. Kafka, nos seus Aforismos, diz: 'Antes eu não entendia por que não recebia nenhuma resposta à minha pergunta, hoje não entendo como podia acreditar que era capaz de perguntar. Mas realmente não acreditava, só perguntava'. Hoje em dia, numa época de Egos bombados a poder de esteroides, duvidamos que alguém possa criar uma obra de peso baseada na dúvida e na insegurança, mas não há dúvida de que muitos criaram assim, criaram quase a despeito de si próprios."

Essa segunda citação dele é muito importante. Temos muitos escritores atuais que se acreditam a salvação da lavoura — ou pelo menos se acreditam bons o bastante para não precisarem de uma edição dura e uma boa dose de autocrítica. Que escrevem com certeza, ao invés de, como disse Tavares, usarem a dúvida como combustível para suas criações.

Creation, arte de Justin R. Christenbery

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A bússola de ouro, de Philip Pullman


Que surpresa esse A bússola de ouro! De verdade! Imaginava que seria bom, li boas críticas, percebi a aura que cerca a obra... mas, de forma alguma, esperava um conteúdo tão original, brutal e emocional. (Cacofonia manda lembranças.)

Engana-se quem pensa que é um livro para crianças. Ainda que seja um livro com uma como protagonista — e que protagonista! —, críticas à Igreja e ao extremismo religioso, maxilares sendo arrancados com socos deixando a língua pendurada e pessoas comendo órgãos crus de animais recém-abatidos para não morrerem de fome não se encaixam na minha definição de livro infantil.

Além da surpresa com a trama, não dá para não gostar de Lyra, Pantalaimon — seu dimon, algo como sua alma em forma de um animal que a segue (todos os humanos nesse universo paralelo têm um) — e de Iorek Byrnison. Porra, ele é um urso polar de armadura! E que fala!

A trama também apresenta muitas reviravoltas — como toda boa aventura —, mas é dependente da continuação. Gosto quando o primeiro livro de uma série encerra a possibilidade de ser lido sozinho, mas aqui isso nem me incomoda. Que venha A faca sutil, o livro 2 da trilogia Fronteiras do universo — e que seja tão bom quanto esse...!

Porque, por enquanto, o senhor Felipe Pãodeforma está de parabéns!

Lyra, a menina; Pantalaimon, o dimon em seu colo; e Iorek Byrnison, o urso.

• Livro: A BÚSSOLA DE OURO •
• Autor: PHILIP PULLMAN •
• Editora: Objetiva •

Personagens: ★★★★★
Trama: ★★★★★
Escrita: ★★★★★
Ambientação: ★★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆