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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Um trecho marcante de Carl Sagan


“Sentia-se à vontade descrevendo-lhe seus devaneios, fragmentos de lembranças, problemas de infância. E Ken não só se interessava como se mostrava fascinado. Fazia perguntas sobre sua infância durante horas. Suas perguntas eram sempre diretas, às vezes minuciosas, mas invariavelmente delicadas. Ellie começou a entender por que os namorados falam um ao outro em tatibitate. Essa era a única situação socialmente aceitável em que a criança que existe dentro do adulto tem a permissão de se manifestar. Se tanto o bebê como a criança, o adolescente e o adulto encontram personalidades compatíveis no ser amado, há uma possibilidade real de que todas essas subpersonas fiquem felizes. O amor põe fim à longa solidão de cada uma delas. Talvez a profundidade do amor possa ser mensurada pelo número de diferentes egos envolvidos ativamente num determinado relacionamento.”

Carl Sagan - Contato


Dentre todas as coisas que eu poderia esperar ler em Contato, esse tipo de tema certamente não era uma delas. Isso só prova o quão genial era o autor.


sábado, 1 de agosto de 2015

Mas é realismo mágico ou fantasia?

(Originalmente publicado no Papo de Cafeteria, republicado no Monomaníacos, discutido no CabulosoCast #122 - A (polêmica) literatura fantástica nacional, e gerou minha participação no CabulosoCast #149 - Realismo mágico)

Cena do filme A estrada, baseado no livro de Cormac McCarthy.

Existe muita confusão sobre o tal do gênero conhecido como realismo mágico. Como se pode ser realista quando se fala de alguma coisa mágica? Seria esse um gênero mainstream disfarçado de fantasia para vender mais, ou um jeito que a fantasia deu de se enfiar no meio mainstream? No que ele difere da ficção fantástica tradicional?

É aceito que o realismo mágico tenha surgido na América Latina com escritores como Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e outros — mas isso se considerarmos estritamente o gênero de prosa produzida por esses senhores. Contudo, existem muitos outros escritores — inclusive fora da América Latina — que fazem obras que, nitidamente, bebem das mesmas fontes desses pioneiros; seriam, então, assim, excluídos do “gênero” por não estarem na mesma sombra geográfica? Mas, espere (você pode se perguntar); se não for assim, como sempre me foi dito, como eu vou identificar o que é realismo mágico e o que é ficção fantástica, ou fantasia? Bom, para começar a polêmica, já começo defendendo de que tudo é ficção fantástica. Daí podemos subdividir em fantasia, ficção científica, realismo mágico, terror, new weird… E então chegamos ao cerne: qual a diferença entre realismo mágico e fantasia, e como identificá-los?

Comecemos pelo mais fácil — a fantasia. O que é uma obra de fantasia? Parece óbvio dizer que O senhor dos anéis do Tolkien é fantasia, assim como As crônicas de gelo e fogo do George Martin. Temos dragões, magia e mortos-vivos em ambos. A Torre Negra do Stephen King também; temos portais dimensionais, ora! Em Deuses americanos do Neil Gaiman temos, bem, deuses!, assim como em O inimigo do mundo do Leonel Caldela. Até aqui tudo bem. Se não houvesse esses elementos, esses mundos se desfigurariam completamente. Não há Terra Média sem magia, sem magos e sem orcs; não há Arton sem elfos, deuses e kobolds. A América de Deuses americanos é moldada pelo “mundo atrás do palco”, e o mundo d’O pistoleiro é uma versão do nosso. Retirando-se o Um Anel, Gandalf ou Sauron, ainda sobram inúmeros elementos fantásticos em O senhor dos anéis, pois essa obra é feita disso. Do mesmo modo, o mundo d’A Torre Negra seguiu adiante, com ou sem Roland Deschain. E Arton sem a Tormenta continua sendo Arton. Agora… poderíamos dizer que o mesmo acontece em obras como A estrada do Cormac McCarthy, Kafka à beira-mar do Haruki Murakami, A metamorfose do Franz Kafka, Memórias póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis, A menina que roubava livros do Markus Zusak…? (Perceberam que não mencionei nenhum dos autores latinos supracitados, não é?)

É nítido e evidente que os elementos fantásticos estão presentes nessas obras. A estrada fala sobre um mundo pós-apocalíptico; em Kafka à beira-mar temos um senhor que fala com gatos (e eles se entendem mutuamente, fique claro) e outras coisinhas mais; o protagonista de A metamorfose vira um inseto gigante; e em Memórias póstumas de Brás Cubas e A menina que roubava livros, quem narra as estórias são, respectivamente, um morto e a Morte. Contudo, eu também pergunto: Sem esses elementos fantásticos, as histórias perdem suas importâncias? Vamos lá, a resposta é fácil: não. A estrada não é sobre o mundo apocalíptico; é sobre o amor de um pai pelo filho na adversidade extrema. Em qualquer outro cenário semelhante aquilo funcionaria tão bem quanto. Perdidos no deserto de Gobbi ou no Atacama, em Marte ou no Ártico. Memórias póstumas… e A menina… têm somente narradores incomuns, o que torna suas estórias únicas, mas elas são perfeitamente possíveis em nosso mundo real. A metamorfose é sobre a melancolia, sobre o sofrimento de um ser humano que não vê sua utilidade no mundo, e Kafka à beira-mar tem em seus elementos fantásticos apenas adornos de um algo maior. E assim também é com A revolução dos bichos do George Orwell, Ensaio sobre a cegueira do José Saramago, Horizonte perdido do James Hilton, Incidente em Antares do Érico Veríssimo…

Então, essa definição é a final? Claro que não. Muitos estudiosos — ou chatos, como preferirem — não admitem que o realismo mágico seja mais do que aquela literatura de nicho feita na América Latina. Isso, contudo, a meu ver, seria semelhante a dizer que não há fantasia fora da Europa ou ficção científica fora da literatura escrita em inglês.

É quase como dizer que Star wars é fantasia e não ficção científica, mesmo tendo uma explicação para a Força e alienígenas serem aceitos na ficção científica de O fim da infância do Arthur C. Clarke e não em… Bom, mas acho que esse assunto terá que ficar para um próximo artigo.

Ilustração para o livro A Torre Negra vol. 1: O pistoleiro.

domingo, 26 de julho de 2015

Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa


Definindo em uma palavra o romance Travessuras da menina má:

Ar-re-ba-ta-dor.

Como nas palavras da personagem Elena, que história de amor...! Como nossas vidas parecem retas e tradicionais comparadas às de Ricardo e... Lily?

É impossível ler esse livro e permanecer impassível. Cada capítulo nos traz uma torrente de emoções conflituosas e, muitas vezes, perfeitamente opostas, sempre muito intensas. A raiva de sentimos da menina má só é superada pela que sentimos de Ricardo — assim como a pena que sentimos dele, que só não é maior da que a chilenita nos causa. Ao mesmo tempo em que pensamos "ah não, de novo não, seu imbecil!", torcemos para que a guerrilheira sempre reapareça e bagunce novamente tudo o que está finalmente se estabelecendo... Acreditamos e duvidamos da menina má em sintonia com Ricardito; passamos raiva junto com ele; nos apaixonamos e nos decepcionamos na mesma medida. E, em alguns momentos, é difícil segurar as lágrimas. Só quem já leu esse romance pode compreender plenamente o que estou dizendo.

Nunca tinha lido Mario Vargas Llosa; já tinha, claro, ouvido coisas muito boas a respeito dele, mas o estilo de sua escrita me surpreendeu bastante. Está sendo curioso o quanto estou me surpreendendo positivamente com os escritores latinos — já fui cativado pelas prosas de Borges, Bolaño, Zafón, Márquez... e agora por Llosa. Acho que vai ser difícil achar algum que vai me desagradar; o próximo da lista é Cortázar. Vamos ver se ele merece 5 estrelas como mereceu (com louvor) a história dessa menina má.



• Livro: TRAVESSURAS DA MENINA MÁ •
• Autor: MARIO VARGAS LLOSA •
• Editora: Alfaguara •

Personagens: ★★★★★
Trama: ★★★★★
Escrita: ★★★★★
Ambientação: ★★★★★
Revisão: ★★★★★
Capa: ★★★★☆

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Um trecho marcante de José Saramago #3


“Caim mal podia acreditar no que os seus olhos viam. Não bastavam sodoma e gomorra arrasadas pelo fogo, aqui, no sopé do monte sinai, ficara patente a prova irrefutável da profunda maldade do senhor, três mil homens mortos só porque ele tinha ficado irritado com a invenção de um suposto rival em figura de bezerro, Eu não fiz mais que matar um irmão e o senhor castigou-me, quero ver agora quem vai castigar o senhor por estas mortes, pensou caim, e logo continuou, Lúcifer sabia bem o que fazia quando se rebelou contra deus, há quem diga que o fez por inveja e não é certo, o que ele conhecia era a maligna natureza do sujeito.”
José Saramago - Caim

sábado, 27 de junho de 2015

Um trecho marcante de José Saramago #2


“Já as pálpebras tinham começado a pesar-lhe quando uma voz juvenil, de rapaz, o fez sobressaltar, Ó pai, chamou o moço, e logo uma outra voz, de adulto de certa idade, perguntou, Que queres tu, isaac, Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o sacrifício, e o pai respondeu, O senhor há-de prover, o senhor há-de encontrar a vítima para o sacrifício. E continuaram a subir a encosta. Ora, enquanto sobem e não sobem, convém saber como isto começou para comprovar uma vez mais que o senhor não é pessoa em quem se possa confiar. Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito a abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim.”
José Saramago - Caim 

domingo, 21 de junho de 2015

O espadachim de carvão, de Affonso Solano


Como é bom se surpreender positivamente, não é? Especialmente quando essa surpresa vem quebrando um preconceito bobo. Admito, para minha vergonha, que acreditava que os elogios à obra O espadachim de carvão eram grandemente devidos ao prestígio do autor Affonso Solano — figura central do podcast MRG — com seus fãs, mas percebi estar redondamente enganado.

Confesso, ainda, que só comprei o livro porque estava numa promoção incrível, e mesmo folheando-o meu preconceito persistia — o uso de frases de efeito, separadas do resto do parágrafo por linhas vazias, me dava ainda mais a impressão de... como dizer... falta de talento literário? Apelação? Em tempo: ainda não aprecio esse recurso, mas, antecipando o elogio, isso não tira o mérito da obra de forma alguma.

O espadachim de carvão é uma história muito bem escrita, criada — perceptivelmente — com muito carinho pelo autor, e muito bem pensada. O mito de criação do mundo onde passa a aventura — Kurgala — é tão verossímil quanto muitos que se referem à criação de nosso próprio mundo, e geram questionamentos, em certo momento da obra, por que não dizer?, pertinentíssimos. Solano criou uma história despretensiosa e, por isso, livre de amarras. É um mundo tão diferente que — ao que me parece — lhe dá uma liberdade criativa imensa. (Engraçado que me senti, em alguns momentos, lendo uma história próxima a um Final Fantasy Tactics ou o XII, que se passam em Ivalice, por causa da multiplicidade de raças inteligentes...) Acompanhar essa aventura foi como revisitar os filmes de fantasia dos anos 90 :)

Tenho uma única reclamação em relação a OEdC: seu final. Não à história, mas à velocidade em que ele foi apresentado. Tive uma impressão assim ao ler: "Opa, agora vamos nos encaminhar ao final e... ahn? Acabou?" Foi um desfecho, mas o clímax me pareceu muito curto.

Mas agora, para aliviar de novo, um outro elogio: Affonso Solano não faz aquelas descrições maçantes de cenas de luta. Escritores fazem literatura; coreógrafos são os profissionais que têm que se preocupar com os movimentos executados. É terrivelmente chato ler que "tal personagens girou duas vezes e, ao mesmo tempo em que trocava a base das pernas, rechaçava a lâmina do oponente com a sua, e, aplicando um movimento ascendente blá blá blá..." Sério, isso é um porre. E essa é uma cena de luta bem descrita:
"Igi e Sumi saltaram das bainhas como relâmpagos, rechaçando as investidas das guandirianas com perfeição e fechando a primeira seção de movimentos com uma garganta perfurada, um rosto cortado e uma lança partida. A criatura desarmada tropeçou para o lado e recebeu com um grito a lâmina de Sumi entre as costelas. A de rosto ferido cambaleou para trás e caiu com as costas encouraçadas no chão liso ao lado de Enki' När, guinchando por ajuda."
Não precisamos saber a descrição anatômica dos lutadores enquanto duelam em câmera lenta. Precisamos saber o que resultou daquela luta. É preciso deixar elementos para que a imaginação do leitor complete, e isso Solano faz bem também com outros elementos. Vi leitores reclamando da pouca descrição das espécies diferentes, mas isso, para mim, é um ponto a favor, e não contra. Didatismo, para mim, é para livros infanto-juvenis. Ou para autores que não dominam a arte — e nenhuma dessas duas sentenças serve para Affonso Solano.



• Livro: O ESPADACHIM DE CARVÃO •
• Autor: AFFONSO SOLANO •
• Editora: Fantasy / Casa da Palavra / LeYa •

Personagens: ★★★★☆
Trama: ★★★★☆
Escrita: ★★★★☆
Ambientação: ★★★★★
Revisão: ★★★★☆
Capa: ★★★★☆

sábado, 23 de maio de 2015

Top 15 games de todos os tempos


Esse é o meu top 15 de games, de todos os tempos, de todos os consoles, uma lista altamente emocional e completamente imparcial, onde todos os aspectos avaliados são criteriosamente subjetivos :)

Percebeu uma palavrinha no começo do post — "meu"? Então. Aliás, sem ordem, só os quinze mais. O #1 não é melhor que o #5 nem que o #10.

#1 - Final Fantasy XII (Sony Playstation 2)

Já começamos bem, hein? Já vou listando o jogo mais polêmico da série como o melhor... Pensando bem, acho que o XIII já roubou o posto de mais polêmico. Enfim.

Mas, falemos sério, o FFXII é lindo, não? Acho-o o jogo mais bonito da franquia. Adoro a mecânica de combate; o sistema tradicional de turnos, por muitas vezes, me enche o saco. As lutas aqui são dinâmicas, o sistema de gambits é inteligentíssimo, você literalmente programa as ações dos seus personagens. Além disso, joguei muito pouco os VII, VIII, e agora que estou jogando o VI do Game Boy Advance, então não tenho muita opinião formada sobre eles. Os que mais joguei foram o III (NDS), IV (NDS) e V (GBA). Concordo que os personagens do XII não são nem de longe memoráveis quanto do IV, VI, VII... bem, quanto todos os outros, mas a história é, sem dúvida, a mais madura de todas — e também é o Final Fantasy mais Star Wars de todos né? :P



#2 - Sonic Adventure (Sega Dreamcast)

O primeiro jogo que joguei no Dreamcast, e, tendo em consideração toda a carga emocional que esse videogame e esse jogo têm para mim, posso dizer que esse é o melhor jogo do Sonic. Os clássicos são excelentes, o Adventure 2 é foda, os do GBA e NDS são muito bons e o Colors do Wii é legal também, mas esse primeiro foi mindblowing. A abertura em CG, a música da abertura, a primeira fase (que me deu enjoo na infância, hehe)... Sério, esse jogo é inigualável. Eu adorava até os personagens adicionais e seus modos história :)

Estou rejogando ele em sua versão DX para o Gamecube, no Wii.



#3 - Skies of Arcadia (Sega Dreamcast)


Final Fantasy-like, ok, mas e daí? Tem muita coisa própria e nova, como a batalha de navios, os monstros gigantes... O mundo composto por ilhas voadoras, "sem" superfície... Além dos seus personagens cativantes... A história cheia de plot twists... E foi o primeiro RPG que zerei na minha vida. Tenho memórias muito boas com ele, e está legal até hoje. Estou jogando ele de novo também, em sua versão Legends, também do Gamecube e no Wii :)



#4 - Shadow of the Colossus (Sony Playstation 2)

Quem não passou por bons momentos jogando esse jogo? Um jogo verdadeiramente lindo, desafiador e inovador o bastante para ficar para sempre marcado na história dos games. Joguei ele recentemente, mas rapidamente entrou no meu disputado top 10 :P

E é sempre impactante ver um Colosso pela primeira vez, não?



#5 - Crash Bandicoot 3: Warped (Sony Playstation 1)

Taí um jogo antigo que eu descobri recentemente, e é o mais novo integrante dessa lista. Já tinha dado uma jogadinha rápida no passado, mas eu ainda não era um gamer. Agora, revisitando-o, percebo o quanto esse jogo é bom! Divertido, engraçado, bonito, com boa jogabilidade e bastante personalidade, além de não ser muito difícil — pra mim, isso é imprescindível. Não sou um jogador muito bom, e fico frustrado muito facilmente com jogos muito difíceis. Entendam: jogo desafiador não é jogo difícil. São coisas diferentes. E o Crash Bandicoot 3 é desafiador e divertido ao mesmo tempo, ao menos para mim.




#6 - The Legend of Zelda: Ocarina of time (Nintendo 64)

Embora eu nunca tenha tido um Nintendo 64, tenho um grande amigo que tem (ou tinha, ao menos) um, então fazíamos "intercâmbio" às vezes — ele levava para a casa dele meu Dreamcast e eu ficava com o 64 dele; então tive a oportunidade de zerar essa maravilha.

Um jogo divetido, desafiador o bastante, tem ação e nos obriga a usar o cérebro (maldito Templo da Água) e, para a época, era bastante bonito. O sistema de "trava Z" era perfeito — e por isso foi copiado ad nauseum depois —, e era incrivelmente longo para um jogo de 64.

Não é à toa que é considerado por muitos o melhor jogo de todos os tempos.



#7 - Super Mario Bros. (Super Nintendo Entertainment System)

Considerando a versão contida em Super Mario All Stars, um remake do jogo original de NES. Embora todos os jogos do Mario sejam excelentes, escolhi esse por sua carga histórica e emocional para mim. Foi o primeiro jogo do primeiro videogame que tive, um clone do Nintendinho, e acho que joguei ele mais do que qualquer outro jogo na vida. O remake dele ficou muito bonito, no estilo gráfico do SNES, e jogo-o constantemente. Para mim, é o jogo de Mario perfeito do melhor estilo de jogo que existe — plataforma.



#8 - Ninja Gaiden 2: The dark sword of chaos (Nintendo Entertainment System)

Esse jogo é ótimo, mas, principalmente, está aqui pela carga emocional que traz. Como o jogava na casa dos meus primos, significava viagem, brincadeiras, fuga da rotina, desafio insuperável. É um jogo difícil, mas não exageradamente. Nunca consegui zerá-lo, mas um dia chego lá. Apesar de também ter um remake para o SNES, ainda gosto mais da versão do Nintendinho.

Tem gráficos ótimos para o NES e a melhor música de abertura de todos os tempos, chamada Chaosium sword.



#9 - Shining Force (Sega Mega Drive)

O primeiro RPG estratégico que joguei, e posso dizer apenas que é fantástico. Joguei o Shining Force II também e é tão bom quanto o primeiro, mas esse foi pioneiro. Não o joguei na época, mas no emulador oficial da Sega — o Sega Smash Pack — para o Dreamcast. Também joguei o remake dele para o GBA, chamado Shining Force: Resurrection of the Dark Dragon. Seu sistema de turnos é muito legal, e, ao contrário de Final Fantasy Tactics, você pode andar e explorar o mundo livremente, o que muito me agrada. Não gosto de jogar RPG apenas pelas batalhas; tem que ter aquele "algo mais".



#10 - Rayman 2: The great escape (Sega Dreamcast)

Esse jogo ganhou o lugar de três outros, que ficarão com as menções honrosas, justamente por sua diversão. O Dreamcast tem uma importância muito grande na minha formação gamer, então é a versão dele que entra aqui. É um jogo lindo, divertido, com uma trilha sonora muito gostosinha, daqueles que você não cansa de jogar por horas a fio.



# 11 - Headhunter (Sega Dreamcast)

Minha primeira experiência com jogos de mundo aberto, e uma experiência fantástica — praticamente: GTA + Metal Gear Solid + ficção científica. Não é um jogo muito lembrado pelo mundo gamer em geral, mas sua história é excelente. Tem músicas excelentes e uma dublagem memorável, além de ser muito divertido (altas risadas com aquelas cenas de jornal com pessoas de verdade). Jogaria de novo facilmente; até hoje seus gráficos são bonitos.



#12 - God of War (Sony Playstation 2)

Esse não precisa nem falar nada, né? Um salto na forma de apresentação de história, quase um cinema em formato de videogame. Os ângulos de câmera são coisas que eu nunca tinha visto antes. Além, claro, de ser um jogo de ação frenético, com uma jogabilidade perfeita e um nível de dificuldade desafiador sem ser apelativo. O God of War 2 pode ser até bom, mas não teve o impacto que o primeiro teve.



#13 - Silent Hill: Shattered memories (Nintendo Wii)

Conheci a série por esse jogo, ao contrário da maioria dos jogadores e fãs de Silent Hill. Poderia dizer que é por isso que ele se tornou meu favorito da franquia, mas isso não seria inteiramente verdade. Shattered memories — uma reinvenção do primeiro jogo — está no meu top porque é um dos jogos mais memoráveis que joguei em minha vida! Seu jeito de contar a história é simplesmente fantástico, e foge completamente dos padrões de jogabilidade da própria série — e que eu já conhecia antes pelas franquias Resident Evil e Dino Crisis. Quando o terminei pela primeira vez, o fiz no Playstation 2, mas a versão do Wii está aqui pelos seus gráficos aprimorados e, mais do que tudo, pela jogabilidade perfeita proporcionada pelo Wiimote.

Além de tudo, ele me traz ótimas lembranças, porque o zerei pela primeira vez junto com minha esposa, sempre à noite e no escuro :)




#14 - Power Blade (Nintendo Entertainment System)

Um joguinho honestíssimo de Nintendinho. Criativo — afinal, o protagonista usa bumerangues como armas. Diga de memória algum outro jogo onde essa arma é a principal. Além de ser uma boa história de ficção científica (já foi comentado nesse post, sobre jogos que dariam bons livros), tem uma jogabilidade simples e gráficos ótimos para o NES. E o Power Blade 2 também vale a pena.



#15 - Mario Kart Wii (Nintendo Wii)

E, por último mas não em último, o representante máximo dessa série fantástica que é Mario Kart. Desde o 64 me divirto com ela, passando alegremente pelo Super circuit do GBA, pelo Double dash!! do Gamecube, pelo Mario Kart DS e, agora, pelo incrível Mario Kart Wii. Um jogo que, apesar de já ter encontrado o caminho da perfeição em diversão, ficou, nesse jogo, perfeita também em jogabilidade por incorporar o movimento de virar o controle para virar o kart. Para mim, não tem mais o que melhorar. (Não, ainda não joguei o do Wii U.)



Acho que, por enquanto, é isso. Meu Wii é recente, então pode ser que mais algum de seus jogos venha a adentrar a lista. Fortes concorrentes ele tem, então... Além disso, em breve comprarei um Playstation 3, e aí o coro engrossa...

Mas e você, amigo leitor? Qual o seu top de games de todos os tempos? Sinta-se à vontade para deixá-lo nos comentários ;)