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domingo, 16 de abril de 2017

Um trecho marcante de Stephen King


“Funcionou. Nosso casamento durou mais que todos os líderes mundiais, com exceção de Fidel Castro, e enquanto continuarmos conversando, discutindo, fazendo amor e dançando ao som dos Ramones — gabba gabba hey —, é bem provável que continue funcionando. Temos religiões diferentes, mas, como feminista, Tabby nunca morreu de amores pelo catolicismo, no qual homens fazem as regras (inclusive a diretriz divina de sempre transar sem camisinha) e as mulheres lavam a cueca deles. E, embora eu acredite em Deus, não consigo ver a utilidade das religiões organizadas. Viemos de família humilde, ambos comemos carne, somos democratas e temos as típicas desconfianças ianques com relação à vida fora da Nova Inglaterra. Somos sexualmente compatíveis e monogâmicos por natureza. Porém, o que mais nos une são as palavras, a linguagem e o trabalho da nossa vida.”

Stephen King – Sobre a escrita




P.S.: Parabéns, sr. King — seu casamento dura mais do que todos os líderes do mundo!

P.S.: Será que sou só eu que acha que o Robert Sean Leonard, da série House, daria um ótimo Stephen King no cinema…?

Stephen King
Robert Sean Leonard

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Atualização desagradável no Desafio Clube de Autores


Eu sempre tive um pensamento muito claro: quem autopublica tem que ter noção. Noção de que a autopublicação implica em muitas coisas.

Noção de que você já começa em desigualdade com as obras que estão nas livrarias…
Noção de que talvez o seu livro saia meio caro (apesar de o preço no Clube de Autores estar perfeitamente equivalente com o de obras de livrarias em questão de número de páginas)…
Noção de que é você que tem que fazer o seu próprio marketing…
Noção de que o seu leitor vai pagar frete quando comprar seu livro online, e que isso talvez o desmotive…
… e, principalmente, noção de que você não vai ficar rico com isso.

No Clube de Autores, é você quem põe o quanto você quer ganhar de royalties. Vejam o exemplo do meu livro, que tem 448 páginas. Quando se põe o número de páginas e o acabamento, o sistema já te dá o preço dele, e você põe o seu em cima:


Lá em “Preço total” você vê “42,38”. Para o meu O arquivo dos sonhos perdidos, eu pus 10% de royalties — que é o que se ganha, aproximadamente, publicando–se por uma editora —, mais um arredondadinho para dar “,90” porque fica mais bonito o número — resultando num total de R$ 46,90.

Assim sendo, voltemos ao “desagradável” do título do post.

Estava eu vendo os preços dos livros do desafio literário, porque o Clube está com promoção de Páscoa, e reparo que todos os preços estão bem condizentes com o número de páginas, a maioria deles também praticando os 10% bem realistas de royalties, menos um… que, a partir de agora, está excluído do desafio.

Esse livro a que me refiro é O evangelho dos loucos, do autor Gabriel Santamaria. Eu já estava dando uma 2.ª chance à obra, porque, após ter demonstrado interesse, ano passado, o autor me inundou de spam. Acabou parando, e então eu incluí o livro no desafio — e agora vejo que o dito cujo está saindo por R$ 47,32 sendo uma obra de 160 páginas, o que daria…


… R$ 31,18.

Ou seja: o autor está esperando lucrar 50% do valor da obra.

Por mim ele pode pôr o preço que quiser, lucrando o que quiser, mas entra naquele papo de noção lá do começo. Eu é que não compro. Acho irreal em todos os aspectos.

Dessa forma, no lugar desse, entra para o desafio a seguinte obra:


6. Unicelular, de Tarsis Magellan


Sinopse: Rosa Villar, agente da ABIN, é chamada às pressas para investigar o envenenamento do filho de uma influente jornalista americana que estava de férias, numa das belas praia do Brasil. O que Rosa não imaginava é que o bem–estar da criança estaria ligado intimamente a membros do alto escalão da embaixada dos Estados Unidos. E, caso a cura não seja encontrada a tempo, problemas diplomáticos surgirão entre os dois países.

A agente tem fortes indícios de que a Biotech, uma grande empresa farmacêutica chinesa, está envolvida no incidente e comanda uma empreitada gigantesca no país. Isso a levará ao centro de controle da Biotech, na Ilha de Trindade.

Lá, Rosa será apresentada à Iniciativa Unicelular, um projeto que ela somente imaginou existir em histórias fantásticas. No entanto, ela sente que algo mais está à espreita, capaz de colocar não só a sua vida, mas a de todos em risco.

Envolta em uma teia de mentiras, conspirações, segredos corporativos e inúmeras mortes, Rosa deve descobrir os mistérios escondidos em um lugar onde não só o homem, mas também a natureza, serão seus piores inimigos.

Expectativa: Parece–me um thriller de ficção científica com toques de horror, bem no estilo dos jogos Resident evil e Parasite Eve… Já havia começado a ler o primeiro capítulo da obra no Wattpad, e a escrita do autor me agradou.


(Obs.: A obra Vós sois máquinas, do autor Goulart Gomes, presente no desafio, está sumida do Clube. Espero que seja porque o autor encontrou editora… Assim sendo, não vou substituí–la desde já; vou esperar para ver se não é só um problema técnico.)

domingo, 9 de abril de 2017

Deuses americanos (+2), de Neil Gaiman


.: Este é primeiro livro do Desafio Literário do Marcador de Páginas, de um total de 7 livros! :.


Tentei esperar algum tempo após acabar a leitura de Deuses americanos, do Neil Gaiman — a releitura, na verdade —, para ver se ficava mais fácil falar sobre essa obra.

Não ficou.

O que acontece é que esse é um dos livros que eu mais gosto — deve ser o segundo, na verdade, só perdendo para O senhor dos anéis —, e é sempre difícil transformar em texto tudo o que uma obra assim significa para nós… Então não vou nem tentar. Simplesmente vou escrevendo, e o que sair saiu.

Como eu comentei na postagem linkada na primeira frase desse post, esse livro inaugura um dos meus dois desafios literários desse ano — é o “um livro com um portal para outro mundo”. E qual seria esse “outro mundo”? O mundo dos deuses. Os deuses que foram trazidos para a América (do Norte), quando ela foi colonizada, pelos seus devotos. Como protagonista, temos Shadow Moon, um ex–presidiário que vê sua vida entrar em colapso assim que sai da prisão. (Na verdade, ele sai da prisão porque sua vida começa a entrar em colapso.) A partir daí ele ganha um trabalho: servir de ajudante e guarda–costas do sr. Wednesday — alguém que é, em muitos sentidos, muito mais do que parece.

E o que significa o “+2” lá do título?

Significa que eu decidi ler, na sequência, as “aventuras extras” do protagonista, retratadas nos contos O monarca do vale, da coletânea Coisas frágeis, e o conto Cão negro, da coletânea Alerta de risco: Contos e perturbações. Aproveitando a onda da série que está para sair, eu decidi me inundar de tudo o que pudesse sobre esse universo incrível. Esses dois contos são o que são: aventuras extras mesmo, nada de mindblowing ou verdadeiramente essenciais — são mais agrados mesmo a quem adorou o romance.

Agora, continua difícil falar sobre a obra em si. Não quero dar spoiler, então vou comentar de forma meio disfarçada.

Shadow by ~luilouie

Muita gente pela internet fala que o Shadow foi muito apático em relação às coisas que iam acontecendo. Acho que essas pessoas não leram a mesma obra que eu. Ele mesmo fala, mais pro fim do livro, que ainda estava processando tudo o que lhe acontecia — e de forma meio frenética, deve–se dizer. Acho que só duas reações são possíveis: ou surtar de vez ou aceitar e seguir em frente. Acho que as pessoas estão tão acostumadas com as over–reactions dos personagens de obras de escritores menos hábeis que se esqueceram como as pessoas de verdade reagem.

O livro tem uns momentos que me agradam muito, como os passados na cidadezinha de Lakeside. Lá tem dois elementos que eu aprecio muito: frio e sossego. Queria viver lá. Gosto muito também de estruturas de road stories como é o do livro. Além disso, a questão da guerra entre os deuses antigos contra os novos é fantástica. Confesso que queria que o livro tivesse umas 200 páginas a mais para que Shadow interagisse com outros deuses — claro que há a questão de que ele só encontraria deuses que foram levados para os Estados Unidos, mas creio que uma continuação da obra poderia mostrar personagens muito interessantes… E uma coisa me dá uma esperança quase infantil sobre isso: o que Gaiman diz na introdução da coletânea Alerta de risco:

“Há uma última história a ser contada, sobre o que ocorre com Shadow quando ele chega a Londres. Se ele sobreviver a isso, será hora de mandá–lo de volta aos Estados Unidos. Afinal, muita coisa mudou desde que ele foi embora.”

Ou seja: há, sim, a possibilidade de uma continuação de Deuses americanos, além da certeza de um terceiro conto sobre as andanças de Shadow. Sabendo que o sr. Gaiman (também conhecido como “deus”) gosta de continuações — afinal, está escrevendo a de Lugar nenhum —, só me resta orar a todos os deuses de todas as culturas pela saúde e por muitos anos de vida ainda ao meu escritor predileto :)

Visual dos personagens para a série

domingo, 2 de abril de 2017

O Templo dos Ventos, de Marcelo F Zaniolo


Tive o imenso prazer de ser leitor beta e editor da incrível obra de fantasia nacional que foi lançada agora em 31 de março — A trilogia dos pássaros vol. 1: O Templo dos Ventos, do meu amigo Marcelo F. Zaniolo!


O romance de estreia do Marcelo é uma aventura verdadeiramente refrescante no cenário da literatura fantástica nacional.

Não copia nada de ninguém e não é previsível; se inspira, sim, em coisas que o autor gosta, e isso se reflete totalmente no texto: é divertido, fluido e empolgante. Não deve nada a qualquer autor já estabelecido.

A aparente simplicidade da trama é, na verdade, seu ponto mais forte — em tempos de histórias com viradas e plots freneticamente complexos, ler O Templo dos Ventos areja o cérebro e aquece o coração. Além disso, não tem como não gostar de todos os personagens… E é um dos poucos livros que me lembro de ter lido em que o narrador não é o personagem principal!

Como eu disse na retrospectiva de 2016, O Templo dos Ventos foi uma das minhas melhores leituras do ano, que não foram poucas!

Parabéns ao amigo Marcelo, e fique sabendo que estou muito ansioso para ler a continuação, hein :D

domingo, 26 de março de 2017

Um trecho marcante de João Guimarães Rosa


““A roupa lá de casa
não se lava com sabão:
lava com ponta de sabre
e com bala de canhão..." 
Cantar, só, não fazia mal, não era pecado. As estradas cantavam. E ele achava muitas coisas bonitas, e tudo era mesmo bonito, como são todas as coisas, nos caminhos do sertão. 
Parou, para espiar um buraco de tatu, escavado no barranco; para descascar um ananás selvagem, de ouro mouro, com cheiro de presépio; para tirar mel da caixa comprida da abelha borá; para rezar perto de um pau–d'arco florido e de um solene pau–d'óleo, que ambos conservavam, muito de–fresco, os sinais da mão de Deus. E, uma vez, teve de se escapar, depressa, para a meia–encosta, e ficou a contemplar, do alto, o caminho, belo como um rio, reboante ao tropel de uma boiada de duas mil cabeças, que rolava para o Itacambira, com a vaqueirama encourada — piquete de cinco na testa, em cada talão sete ou oito, e, atrás, todo um esquadrão de ulanos morenos, cantando cantigas do alto sertão. 
E também fez, um dia, o jerico avançar atrás de um urubu reumático, que claudicava estrada a fora, um pedaço, antes de querer voar. E bebia, aparada nas mãos, a água das frias cascatas véus–de–noivas dos morros, que caem com tom de abundância e abandono. Pela primeira vez na sua vida, se extasiou com as pinturas do poente, com os três coqueiros subindo na linha da montanha para se recortarem num fundo alaranjado, onde, na descida do sol, muitas nuvens pegam fogo. E viu voar, do mulungu, vermelho, um tié–piranga, ainda mais vermelho — e o tié–piranga pousou num ramo do barbatimão sem flores, e Nhô Augusto sentiu que o barbatimão todo se alegrava, porque tinha agora um ramo que era de mulungu."

João Guimarães Rosa – A hora e vez de Augusto Matraga

quinta-feira, 23 de março de 2017

#OPodcastÉDelas — Priscilla Rúbia

~Texto da escritora convidada Priscilla Rúbia, podcaster dos programas CabulosoCast e Perdidos na Estante, em apoio à campanha #OPodcastÉDelas, integrada por diversos produtores de conteúdo para a internet — como podcasters, bloggers e vloggers — nesse mês de março de 2017.~




Fui descobrir o mundo dos podcasts quando resolvi usar a internet ao meu favor e procurar sites que falavam sobre o meu maior hobby: a leitura. Para minha surpresa, a internet estava lotada de blogs literários. Mas gostaria de ir além; gostaria de conversar sobre o hobby com outras pessoas apaixonadas; então, a grande felicidade foi descobrir o podcast.

Depois de muito comentar em um deles, o CabulosoCast, fui convidada a participar do mesmo. Eu! O que eu poderia acrescentar, o que eu poderia falar que outros já não tinham falado? Eu não sabia, na época, mas o convite seria de muita importância e mudaria meu mundo. Eu entraria em contato com muitas pessoas interessantes e faria os melhores amigos. Eu poderia escrever, outro hobby que preciso praticar mais. Mas, por mais que em toda a minha vida eu tenha ouvido coisas que me fizeram me sentir menor por ser mulher, ainda é estranho e chocante o quanto minha opinião pode ser considerada lixo por causa do meu gênero.

Para algumas pessoas isso é o tal vitimismo — #mimimi —, mas quando um homem expõe uma opinião e as pessoas não concordam com ela, elas dizem que não concordam. Num caso extremo, o xingam de incompetente. Se é uma mulher a expor a opinião, e essa opinião for recebida negativamente, procuram primeiro saber como é a aparência dela, porque pelo jeito isso vale muito quando temos uma autora em vez de um autor.

Tudo isso faz com que muitas mulheres fiquem fora desse mundo de criador de conteúdo, de ser podcaster. É melhor ler em casa e escutar sobre o livro sem falar muito. Usar um nome falso para comentar, talvez. Um nome masculino, claro, como J. K. Rowling fez.

Depois de ser podcaster eu passei a admirar, cada vez mais, as mulheres que criam conteúdos e expõem suas opiniões. Porque não é fácil, não mesmo. Por isso a quantidade de homens ainda é maior na podosfera. E acontece, frequentemente, de eles quererem mudar esse número, convidando mulheres para participar de programas — mas acabam não deixando–a falar, interrompendo–a com frequência, só colocando o nome dela na chamada do programa pra mostrar que “aqui não, aqui a gente chama mulher, amamos todas elas!”…

Porém, se você, mana, é criadora de conteúdo, ou talvez pensa em ser, se gostaria de escrever sobre aquele livro/mangá/HQ que gostou muito ou que talvez tenha odiado, se quer participar de um podcast ou talvez criar o seu podcast, só tenho a dizer: vá em frente. Não vai ser fácil, mas se você pensar que irá incentivar outras mulheres a fazer o mesmo, já vale a pena. Quando uma mulher ouve outra em um podcast, dizendo sua opinião ou ainda acrescentando conteúdo no assusto discutido, é maravilhoso. Aquela mulher que participa, que fala, que escreve, talvez não saiba, mas muda a vida de muitas mulheres e as incentiva. Bom, a minha mudou. E sendo podcaster e escrevendo — escrevendo esse texto —, espero que mude de alguma forma a sua também.

sábado, 11 de março de 2017

Outro desafio literário para 2017!


Quando de minha única visita à Livraria Cultura, em São Paulo, adquiri duas coisas:

Um exemplar já difícil de encontrar, da extinta editora Tarja, do romance A situação, do Jeff VanderMeer…
…e um singelo marcador de páginas.

Acontece que, nesse marcador, há um desafio literário bastante interessante para quem gosta de literatura fantástica.

Ele diz “Livros para viajar para outros mundos”, e traz a seguinte lista:

  • Um livro com uma aventura em alto–mar.
  • Um livro com animais falantes.
  • Um livro que se passe em diferentes reinos.
  • Um livro com criaturas mágicas.
  • Um livro com um dragão na capa.
  • Um livro em que foi criada uma nova língua.
  • Um livro com um portal para outro mundo.


Como podem ver, já dei um “check” no último item, porque estou lendo Deuses americanos, e, se você já o leu, deve certamente se lembrar d'O Maior Carrossel do Mundo :)

Para o item do dragão na capa, já tenho o candidato mais provável: Memória da água, da Emmi Itäranta… mas, para o resto, ainda há um mundo de possibilidades!

Prometo que falo sobre cada um deles, assim que os ler — e assim como os do outro desafio literário do ano.